Audiovisual avança, mas ainda há muito por fazer

Leis e pouca tradição em coproduções são empecilhos

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Já houve avanços, mas existe muito mais a se fazer em termos de Mercosul audiovisual. É o que se conclui da conversa com Manoel Rangel, diretor presidente da Ancine, a Agência Nacional de Cinema - órgão governamental incumbido de traçar as políticas do audiovisual brasileiro.Rangel destaca que existe um movimento de aprofundamento dos laços entre países vizinhos, no âmbito do audiovisual e em outros. "Estamos nos esforçando para melhorar estas posições e temos visto avanços. O Mercosul é prioridade para o governo nesta mudança de cultura pretendida por parte dos nossos produtores", diz.Muita coisa já foi conquistada, afirma o diretor. Ele destaca o estatuto de "filme nacional" que goza qualquer produção feita pelos países membros. Assim, um filme argentino é considerado filme nacional no Brasil e vice-versa, com benefícios em termos de legislação, captação de recursos e outros.Além disso, o Mercosul vem firmando parcerias com a União Europeia com o objetivo de apoio a salas digitais e preservação de obras. "Trabalhamos também em vista da harmonização das legislações dos países membros, mas ainda precisamos avançar nessa direção", diz Rangel.As parcerias têm se traduzido em coproduções como O Banheiro do Papa (Uruguai), Café dos Maestros e Leonera (ambos com a Argentina). Mas Rangel admite que o volume de coproduções com os países do Mercosul ainda é tímido. "Não temos grande tradição em parcerias cinematográficas em geral e por isso as coproduções com os países do Mercosul ainda são poucas", analisa.O produtor gaúcho Beto Rodrigues, com larga prática em coproduções com os vizinhos, admite as dificuldades: "A gente luta muito para avançar nesse setor", diz. Em 2004, Beto lançou Diário do Novo Mundo, uma sociedade entre Brasil, Portugal, Argentina e Uruguai. Já tem várias outras balas na agulha. Insônia, coproduzido com a Argentina, está em fase de pós-produção. A produtora também está envolvida em vários outros projetos, como La Vieja de Atrás (A Velha dos Fundos), segundo longa do argentino Pablo Meza, e La Despedida, que será realizado no Uruguai. Também em Montevidéu terá lugar o longa Reos, que se pretende uma espécie de "Cidade de Deus uruguaio", história de duas gangues que lutam pelo poder na periferia da capital. A Casa Elétrica, que terá aporte também de capital italiano, será outra coprodução dos parceiros do Mercosul sob a batuta de Beto Rodrigues.O produtor destaca a política positiva da Ancine, que tem voltado seus olhos para o continente, mas cita dificuldades ainda existentes. "O intercâmbio de técnicos foi facilitado, pois o visto é automático por 90 dias; é pena que algumas Delegacias Regionais de Trabalho ainda não saibam disso", diz. Há ainda problemas alfandegários inadmissíveis. "Os negativos são taxados quando enviados de um país a outro; a sorte é que quase tudo hoje é digital." Há problemas com outros itens. "Peças de vestuário não podem ser despachadas; temos de mandar de ônibus, como se fossem roupas comuns, senão seriam taxadas." O "jeitinho" ainda faz as vezes de uma legislação mais eficaz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.