As várias faces de Alice

Nova tradução do clássico de Lewis Carroll pelo cineasta Jorge Furtado chega às livrarias simultaneamente ao lançamento de caixa com adaptações para o cinema

Antonio Gonçalves Filho, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2008 | 00h00

Ninguém discute que o clássico Alice no País das Maravilhas (1865), escrito pelo matemático e literato inglês Lewis Carroll (1832-1898), é uma cornucópia de sentidos que brinca com a lógica, um livro tão complexo que já mereceu estudos psicanalíticos, filosóficos, matemáticos e até políticos. A partir desta semana, o repertório de leituras sobre o fascinante clássico de Carroll ganha mais cinco versões diferentes que enriquecem essa discussão intelectual em torno do livro, amado indistintamente por crianças e adultos. A editora Objetiva lança uma nova tradução da obra, assinada pelo cineasta Jorge Furtado (Meu Tio Matou Um Cara) e sua professora de inglês Liziane Kugland. Completando o pacote, o selo Magnus Opus coloca no mercado uma caixa com três DVDs que reúne quatro versões para o cinema, desde a primeira, muda, dirigida em 1903 por Cecil M. Hepworth e Percy Stow, até a adaptação musical com Fiona Fullerton no papel da sonhadora Alice, passando por uma animação checa dirigida pelo surrealista Jan Svankmajer e a subversiva leitura do cineasta inglês Jonathan Miller, realizada em 1966.Convencido de que a estrutura narrativa de Alice no País das Maravilhas conduz a múltiplas leituras, o cineasta Jorge Furtado tomou uma trilha diferente para se aproximar do clássico de Carroll. Ele e a tradutora Liziane Kugland foram buscar nos manuscritos do autor orientações para oferecer às crianças brasileiras do século 21 um livro ligeiramente diferente do original. Não que a dupla tenha subvertido Carroll. Apenas substituiu poemas e canções no corpo da narrativa, que só faziam sentido para crianças inglesas do século 19.Furtado é um obcecado por Alice, a ponto de ter batizado a filha caçula, de 7 anos, com o nome da menina criada por Carroll e assinado a adaptação teatral estrelada por Luana Piovani em 2003, mesmo ano em que a atriz participou do filme mais popular do diretor, O Homem Que Copiava. O cineasta propôs à professora de inglês Liziane que traduzissem juntos o livro - como exercício, não com a pretensão de oferecer a versão definitiva do clássico. Como reconhece Furtado, não faltam boas traduções brasileiras, sendo a melhor delas - ele concorda - a do poeta Sebastião Uchoa Leite (1935-2003), publicada em conjunto pelas editoras Fontana e Summus em 1977, que traz fotos de Carroll e um ensaio antológico do tradutor.

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