As composições que fazem a vida ser melhor

O Mistério do Samba, documentário sobre a Velha Guarda da Portela, vem com 1 hora e meia de extras

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Vale a pena assistir a O Mistério do Samba apenas pelo modo como o compositor Argemiro Patrocínio define os solitários. "Solidão - quando o cara tem tudo e não tem nada." Argemiro fala por paradoxos, mesmo material que forma a arte da Velha Guarda da Portela, cuja fonte criadora se assenta na resignação diante das coisas desta vida.Especulações filosóficas à parte, o documentário sobre a Velha Guarda da Portela, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, chega ao DVD com mais de 1 hora e meia de extras, que incluem making of e cenas e músicas adicionais. Um dos destaques é o clipe de Volta, samba inédito de Manacéa, encontrado pela cantora Marisa Monte quando visitou a casa da viúva do portelense e achou, além de letras manuscritas, fitas cassete dentro de uma maleta.O making of é interessante porque apresenta as intenções dos documentaristas, criticados à época do lançamento do filme pela falta de atenção com a forma. Eles dizem que a preocupação principal foi com o conteúdo. Em vez de esgotarem o assunto, pretenderam despertar no espectador a vontade de pesquisar sobre a velha guarda. Falam do desafio de condensar dez anos de gravação - ou 200 horas de imagens - num documentário de 1h30. Interessante o realce dado ao fato de não consultarem acadêmicos para não quebrar a emoção.Entre as cenas adicionais é impagável a história de Argemiro que, aos 18 anos, casou forçado e, 15 dias depois, fugiu de casa. Ele, com um pandeiro, também ensina a rítmica única, pela qual a Portela se consagrou. Sem a pretensão de revelar o mistério dessa arte - que fica bonita por ser triste, segundo Casemiro da Cuíca -, Marisa explica seu amor às composições: "Com esses sambas sabia que a vida ia ser melhor." No que é apoiada por Carolina Jabor: "O samba se mistura à vida, fazendo com que ela valha a pena."

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