Mayra Koketsu
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Artista plástico Abraham Palatnik morre aos 92 anos, vítima da covid-19

Na juventude, estudou engenharia na Palestina, durante os anos 1930 e 1940 e mais tarde se mudou para o Rio, onde se tornou um dos principais nomes da arte cinética brasileira

Redação, O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2020 | 12h53
Atualizado 11 de maio de 2020 | 12h39

O artista plástico Abraham Palatnik, de 92 anos, morreu neste sábado, 9, vítima da covid-19, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde o dia 29 de abril, no Hospital Copa Star, em Copacabana

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Palatnik se tornou um dos maiores nomes na arte cinética, estética relacionada à luz e movimento, mesmo que essa definição fosse contestada ao longo de sua carreira. Na juventude, estudou engenharia na Palestina, durante os anos 1930 e 1940 e mais tarde se mudou para o Rio. Também desenvolveu trabalhos com internos do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro. 

Em 1951, na primeira Bienal de São Paulo, ele chamou a atenção com uma tela com formas que se moviam como peixes em um aquário. Ele também integrou o Grupo Frente, com Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Mário Pedrosa, Franz Weissmann, Lygia Clark e outros nomes dessa geração.

Palatnik sempre teve a pintura como referência, mesmo ao criar seus aparelhos cinecromáticos mecanizados (como aquele da 1.ª Bienal). E ela voltava a afirmar sua primazia nas obras em acrílica sobre madeira da recente série W, que, de certa forma, revisita as telas em óleo sobre ripas de madeira do final dos anos 1970 e começo da década de 1980 – que registram experiências radicais com cartões e metais cortados com precisão cirúrgica.

Atualmente o artista tem obras expostas em diversas instituições internacionais, como o MoMA, em Nova York, e o Museum of Fine Arts, em Houston.

Para alguns críticos e especialistas, era difícil enquadrar o trabalho de Palatnik no movimento de arte cinética, como reconheceu o historiador de arte e professor britânico-brasileiro Michael Asbury. O artista, justificou, “escapa entre os interstícios das categorias”.

Segundo o crítico e jornalista do Estado, Antônio Gonçalves Filho, "seu vínculo com as vanguardas neoconstrutivistas surge mais da relação intelectual com o crítico Mário Pedrosa e com o pintor Ivan Serpa do que da afinidade com movimentos – e, considerando o que apresentou já na primeira Bienal de São Paulo, a questão abstracionista já não era mais problema para Palatnik, cujas primeiras experiências em pintura foram retratos, naturezas-mortas e paisagens nada memoráveis. Certamente não será o caso das pinturas mais recentes. Elas são iluminadas, em mais de um sentido".

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