FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Artista Ivan Reis, que inaugura o projeto  no teatro, assume a ousada HQ do Ciborgue

Em parceria com Geoff Johns, diretor criativo da DC Comics, brasileiro revolucionou histórias do Lanterna Verde e Aquaman

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2015 | 04h00

O leitor de revistas em quadrinho sabe que, nos últimos sete anos, heróis considerados do um segundo escalão do panteão da cultura pop, como Lanterna Verde e Aquaman, romperam a fronteira de heróis de nicho e ganharam fama. O traço responsável por essa revitalização dos personagens, antes popularmente desmerecidos como “o cara do anel” e “aquele outro que fala com peixes”, é o mesmo, do brasileiro Ivan Reis.

Foi em duas bem-sucedidas parcerias com Geoff Johns, o poderoso chefão criativo da editora norte-americana DC Comics, que o paulista de São Bernardo do Campo se estabeleceu como artista importante do mercado de heróis e, ao lado de Mike Deodato Jr. ou Roger Cruz, mantém a presença brasileira entre os personagens mais poderosos das HQs. 

Reis foi escolhido para abrir um novo projeto do Teatro Sérgio Cardoso, cuja ideia é expandir as fronteiras artísticas da casa e abrir espaço para as novas artes. O Teatro ComVida tem início neste sábado, 1.º, e planeja dedicar seus dias para literatura (terças-feiras), música (quartas), circo (quintas), dança de salão (sextas) e artes visuais (sábados). Todas as ações são gratuitas, mas, para algumas delas, a organização pede para que o público retire o ingresso com uma hora de antecedência. 

O artista fará uma palestra seguida por uma sessão de autógrafos para fãs que acompanham todas as fases da carreira, desde o início, com a Turma da Mônica, nos anos 1990, até o atual trabalho, no ousado título dedicado ao herói Ciborgue (um jovem, estrela de futebol americano estudantil, que é quase morto e tem o corpo reconstruído pelo pai cientista) e nova aposta da DC Comics. 

Reis vai, em média, a quatro ou cinco grandes convenções ao longo do ano, conta ele. Além de lecionar palestras ocasionais. Ele entende que a quantidade maior de eventos dedicados aos quadrinhos é uma resposta óbvia ao movimento de transmídia pelo qual os heróis das HQs passaram nos últimos anos, com a chegada de forma massiva na TV e no cinema, mas as convenções ainda têm o valor de educar e apresentar o material base, ou seja, os próprios quadrinhos, ao público novo e recém-criado. 

“Dentro desse universo de entretenimento milionário, a principal fonte de criatividade vem de um universo simples, de pouco investimento ou limitação. O grande público, que não acompanha os personagens nas revistas com regularidade, mas se interessa pelo assunto, ainda está aprendendo qual é o seu tipo de revista”, analisa Reis. 

O desenhista sempre sonhou em trabalhar em revistas de super-heróis e agarrou como pôde a oportunidade de trabalhar na editora Dark Horse Comics – foi por uma oportunidade lá que ele deixou o trabalho ao lado de Mauricio de Sousa. Reis ainda passou por algumas HQs da concorrente Marvel, como Homem de Ferro e Visão, mas a carreira ascendeu na DC Comics, ao lado de Geoff Johns. 

A dupla tirou do limbo o personagem Hal Jordan, um dos lanternas verdes terráqueos, e deu início a uma das sagas mais elogiadas dos quadrinhos nos últimos anos, chamada A Noite Mais Densa. Depois, os dois assumiram o posto de recriar Aquaman de uma forma que ele fosse mostrado realmente como um personagem interessante para um novo público. Novamente, o resultado agradou público e crítica. 

Foram mais de dez anos de parceria. Johns atualmente é diretor criativo da editora e dita os passos futuros dos quadrinhos, cinema e TV. Já Reis assume a ideia de criar um novo personagem preferido dos fãs, cujo filme já está anunciado para 2020, estrelado por Ray Fisher. “É um projeto que estamos desenvolvendo desde o início. Estamos estabelecendo todos os conceitos”, conta Reis. “Fazer Aquaman era uma diversão. Agora, o Ciborgue é um desafio.” 

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