Arte teatral comunitária faz encontro

Série, com debates e espetáculo, começa hoje com 19 grupos do Brasil e da AL

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

Fundado pelo diretor peruano Lino Rojas (morto em 2005) no bairro de São Miguel Paulista, o grupo Pombas Urbanas completa 19 anos em outubro e há 4 ocupou um barracão de 1,6 mil metros quadrados que estava em ruínas em Cidade Tiradentes. Ali, os atores instalaram o Centro Cultural Arte em Construção, a um só tempo espaço cultural, de ensaios e centro de formação artística.Dois aspectos da atividade do Pombas Urbanas - formação de jovens e vínculo estreito entre artistas e comunidade - estarão em foco no 1º Encontro Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo. Organizado pelo grupo, com apoio da Caixa Econômica Federal e do Grupo Votorantin, durante 11 dias, de hoje ao dia 21, vai reunir 19 companhias da América Latina em torno de apresentações de espetáculos e debates sobre essa forma de fazer arte."Basicamente, o que chamamos de comunitário é o teatro realizado não de forma isolada numa sala de ensaio, mas a partir de estreita convivência com moradores da comunidade", diz Juliana Flory, organizadora do evento e atriz do Pombas Urbanas. Ela faz parte do núcleo base do grupo e está no elenco do espetáculo Histórias para Serem Contadas, a mais recente criação do Pombas, que abre hoje a programação no Vale do Anhangabaú (leia nesta página). "A formação de jovens, e sua integração às atividades artísticas, também faz parte dessa forma de atuar na cena. E esse teatro promove a descentralização ao instalar-se longe do circuito oficial ampliando assim o acesso à arte", afirma Juliana.Ela destaca outra característica comum aos participantes desse encontro: a busca de uma dramaturgia, de texto e cênica, que sirva de espelho para jovens e também adultos da comunidade na qual estão inseridos, quase sempre periféricas. "A meta é que o vínculo com os moradores interfira na estética, na criação de uma linguagem que possa provocar empatia e identificação nesse público-alvo. E mais ainda dar voz a ele, por meio dos núcleos de formação."Assim, por exemplo, integram a mostra o espetáculo Negrinha, criado pelo Coletivo Cor, recém-surgido das atividades formativas do premiado Grupo XIX, instalado na Vila Operária Maria Zélia, em São Paulo. Ou Coração Boxeador, uma montagem voltada especificamente para o público jovem da Cia. Paidéia, cuja atuação pode ser essencialmente definida como comunitária em sede no bairro de Santo Amaro, onde transformou um pátio de coletores de lixo em Pátio dos Coletores de Cultura. Não é diferente, em seu países, a prática dos grupos estrangeiros convidados."Há mais de 20 anos o argentino Catalina Sur instalou-se no bairro La Bocca. Eles conseguiram tal penetração na vida da comunidade que seu último espetáculo tinha 60 atores, todos do bairro", diz Juliana. O cubano Rolando Hernandez, presente aos debates, prepara a fundação de uma rede de teatro comunitário envolvendo toda a América Latina. "Pela nossa experiência em encontros semelhantes em países como Chile, Uruguai, Cuba, Venezuela e Peru, consideramos a Colômbia o país onde o teatro comunitário é mais estruturado. Pois o Nuestra Gente, da Colômbia, trouxe o espetáculo In-Con-Cierto, cujo autor é Hernandez. Uma feliz coincidência, puro acaso." A discussão que deve pegar fogo, aposta Juliana, diz respeito à inclusão de jovens de periferia na arte teatral. "Em geral, grupos se formam a partir da atividade de companhias de referência, como é o Pombas. Mas a grande dificuldade é seu aprimoramento e estruturação. E as escolas de teatro não são acessíveis à maioria desses jovens." Que, no entanto, querem se expressar. Qual o caminho? ProgramaçãoPRAÇA DO CORREIO, VALE DO ANHANGABAÚHoje16 h - Histórias para Serem Contadas, Pombas Urbanas Amanhã 16 h - Arrumadinho - Grupo Olho de RuaGALERIA OLIDO Sábado 15h - Abertura 16h - Seminário de Redes de TeatroNuestra Gente (Colômbia) e Catalina Sur (Cuba) Domingo 16h - Seminário de Redes de TeatroSecretaria Municipal de Cultura e dos Pontos de Cultura do Minc. 19h - In-Con-Cierto, Nuestra GenteCENTRO CULTURAL ARTE EM CONSTRUÇÃOTerça 10h - Workshop de maquiagem com o grupo Nuestra Gente13h30 - Workshop de cenário e figurino com Vem Cá Vem Vê 16h - Coração de Boxeador, Cia. Paidéia20h - Negrinha, Grupo XIX/Coletivo em CorQuarta 10h - Workshop de dramaturgia com o Coletivo em Cor13h30 - Workshop de direção com Catalina Sur16h - ComiCidade, Burado d?Doráculo20h - Posseiros e Fazendeiros, Filhos da Mãe... TerraDia 1810h - Seminário Teatro de Rua e Comunidade Movimentos Teatro de Rua e Teatro de Rede - São Paulo, Rio e Bahia16h - Cirylo y la Guacamaya, Nuestra Gente20h - A Brava, Brava Cia.Dia 1910h - Seminário Processo de Criação e Produção Teatral em ComunidadesGrupos União e Olho Vivo, Os Satyros e Catalina Sur16h - Quem Ensinou o Diabo a Amassar o Pão?, com Vem Cá Vem Vê20h - Cidadão de Papel, com o grupo Os SatyrosDia 2010h - Seminário: Formação Teatral com Jovens em ComunidadePombas Urbanas, Nuestra Gente, Escola Livre de Teatro de Santo André e MST Filhos da Mãe... Terra16h - Quem Ensinou o Diabo a Amassar o Pão?, com o Grupo Vem Cá Vem Ver20h - In-Con-Cierto, com o grupo Nuestra GenteDia 2111h30 - Cortejo13h - Confraternização

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