Arte reconta as histórias encantadas

Ampla mostra que será aberta amanhã no CCBB revisita os contos de fadas

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2009 | 00h00

É da natureza humana inventar histórias desde os tempos mais remotos para transcender a vida prática. Os contos não precisam ser só do campo da fantasia, podem tratar do cotidiano com certo encantamento ou mais realidade, ou ainda colocar nos interstícios das linhas das histórias mágicas uma série de ensinamentos, moralistas ou não. Fala-se, assim, do terreno dos contos de fadas, campo fascinante no qual a crítica e curadora Katia Canton vem se dedicando há anos. Para todos os gostos e idades, é um prazer descobrir as várias visões sobre os contos de fadas e suas transformações ao longo do tempo na exposição Era Uma Vez... Arte Conta Histórias do Mundo, que Katia preparou para o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo.A mostra, a ser inaugurada amanhã, às 11 horas, ocupa todo o prédio da instituição promovendo um passeio pelas mais diferentes histórias: Cinderela, O Patinho Feito, Chapeuzinho Vermelho, A Rainha da Neve, entre tantas outras, conhecidas ou não, são apresentadas em mais de uma centena de criações de artistas e ilustradores sempre de maneira mais e mais curiosa, por meio de áudios feitos especialmente pelas atrizes Cristina Mutarelli e Yara Jamra e pelos cantores Paulo Tatit e Sandra Peres, do Palavra Cantada, e da programação de contadores de histórias, que ocorrerá em espaço criado no hall do CCBB, com bancos, réplicas de árvores, livros e obra de Sandra Cinto. Artes plásticas, ilustração e cenografia se entrelaçam, "sem hierarquia", reforça a curadora.Como conta Katia, a história da Cinderela, por exemplo, tem versões de antes de Cristo, da China Antiga, sem falar que pode até hoje ser reinventada pelo olhar contemporâneos. Mas o termo "conto de fadas", de origem celta, instaurou-se mesmo na França do século 17 como uma maneira de diferenciar esse tipo de literatura da tradição dos contos populares e da oralidade. "A invenção da infância se deu no barroco. Antes, as crianças eram tratadas como pequenos adultos, até na maneira que eram vestidas", conta a curadora, especialista no assunto. Em 1993, ela defendeu na New York University, EUA, a tese de doutorado The Fairy Tale Revisited (O Conto de Fada Revisitado) e, desde então, não parou mais de criar livros e atividades a partir desse tema.Era Uma Vez... tem como vetores obras do francês Charles Perrault (1628-1703), dos alemães Jacob Ludwig Karl Grimm e Wilhem Karl Grimm - os irmãos Grimm, que nasceram em 1785 e 1786, e do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), mas "o fio da meada" estende-se para as histórias mais modernas, como a de Pinóquio e de Alice, de O País das Maravilhas, e ainda da África, Oriente Médio, Itália, Rússia e Japão no segmento Volta ao Mundo em Cinco Paradas, no subsolo do CCBB - no cofre, o desfecho se dá com o "tesouro de coisas simples", com a instalação Encantados, de Luiz Hermano. A mostra também permite aos visitantes que criem seus contos e aumentem um ponto.

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