Arte italiana de anseio e renovação

Mostra, que vai ser aberta esta noite no Masp, percorre muitos caminhos, vertentes e materiais, de 1950 até 2000

Maria Hirszman, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

Como apresentar um resumo da arte contemporânea italiana, produzida entre 1950 e os nossos dias? Esse é o desafio que se propõe a exposição Arte Contemporânea Italiana (1950 -2000) - Coleção Farnesina, que será aberta esta noite no Masp. A solução encontrada pelos organizadores dessa mostra produzida pelo Instituto Italiano de Cultura para itinerar pela América Latina, é bastante interessante: em vez de apostar todas as fichas nas grandes estrelas internacionais, já amplamente conhecidas do público, optou-se por uma mostra extremamente diversificada, na qual estão representadas as mais diferentes vertentes e nomes da produção italiana das últimas décadas. Evidentemente, figuras do calibre de Lucio Fontana, Alberto Burri, Mimmo Rotella, Piero Manzoni ou Michelangelo Pistoletto - para citar apenas alguns dos destaques - não poderiam faltar. E também não se pode dizer que os outros membros do time - composto por 98 autores - sejam desconhecidos ou emergentes. No entanto, mais do que assinaturas impactantes, o que é dado ao visitante é um leque amplo de caminhos, que muitas vezes se encontram nos chamados grupos ou escolas. Pode parecer excessivo o fato de a mostra ser dividida em 15 sub-blocos, limitando cada um dos representados a uma determinada vertente. Mas, de certa forma, essa segmentação, se não for pensada de forma reducionista, pode levar o público a compreender como se entrecruzam e se alimentam reciprocamente esses movimentos dominantes no cenário artístico - e não apenas italiano - da segunda metade do século 20. A mostra tem início com o expressionismo abstrato, representado, por exemplo, pela forte carga expressiva e gestual de Emílio Vedova, numa obra tardia, de 1988. Pelo meio do caminho percorremos diferentes rotas, passando pelo pop, pela arte povera, pela transvanguarda, pela nova figuração dos anos 80... E se encerra com os trabalhos mais recentes, representados pela diversidade de trajetórias dos representantes da Escola de S. Lorenzo (referência ao local em que os ateliês estão instalados) ou pela videoarte de Maurício Plessi, presente com a obra Mar Horizontal. Um aspecto curioso da mostra é o caráter bastante aberto da cronologia proposta. As obras são segmentadas em função de seu parentesco com este ou aquele núcleo, mas não necessariamente correspondem ao mesmo período histórico. Muitas vezes, são trabalhos tardios de artistas pertencentes àquela corrente, como no caso de Rossovioleto, de Gino Marotta, destaque do núcleo pop, mas realizada em 2001. Há também na exposição uma preocupação em dar conta da ampla diversidade de materiais, técnicas e linguagens explorados ao longo desse período. É significativa a presença dos objetos tridimensionais, mas predomina, de longe, a pintura. No embate com a tela ou com materiais menos convencionais, percorrendo o caminho da abstração ou da figuração, buscando a corporiedade da matéria ou a leveza dada pelo enxugamento extremo dos elementos, é possível ver como convivem nesse período o ímpeto transformador, o anseio pela renovação - muitas vezes premiado com a grande aceitação pelo mercado externo, com destaque para o americano - e a relação inevitável e enriquecedora com a tradição da arte italiana. ServiçoColeção de Arte Italiana Contemporânea Farnesina. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 3.ª a dom., 11 h às 18 h (5.ª até 20 h). R$ 15 (3.ª grátis). Até 21/9. Abertura hoje, para convidados

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.