Christie's/AP
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Arte de algoritmo é arrematada por US$432.500 em leilão nos EUA

Produzida por um software, a obra foi comercializada em Nova York pela Christie’s, uma das mais importantes empresas de arte do mundo

AFP

25 Outubro 2018 | 18h45

Um retrato feito por um algoritmo foi vendido por US$ 432.500 nesta quinta-feira, dia 25. O quadro rompeu limites: foi a primeira obra de arte de inteligência artificial (IA) a ser comercializada em uma importante casa de leilões. A empresa responsável pela venda foi a Christie's, em Nova York.

À primeira vista, Edmond de Belamy, um homem vestido de preto e emoldurado em ouro, parece ser um retrato padrão do século XVIII ou XIX. De perto, a imagem é mais intrigante. O rosto é borrado e a pintura está aparentemente inacabada. No lugar da assinatura de um artista, há uma fórmula matemática.

Trata-se de uma criação do coletivo francês Obvious, cujo objetivo é usar a inteligência artificial para democratizar a arte. Para fazer a pintura, o artista Pierre Fautrel criou quinze mil retratos clássicos por meio de um software. O programa captou as regras do retrato e gerou uma série de novas imagens por si só, usando um algoritmo desenvolvido pelo pesquisador da Google Ian Goodfellow.

O coletivo francês selecionou 11 e os chamou de "família Belamy", um dos quais foi arrematado nesta quinta-feira por US$ 432.500 em um leilão da Christie's nova-iorquina. O preço superou as estimativas de pré-venda, que oscilavam entre os 7.000 e 10.000 dólares.

Mas isso é arte? Fautrel, de 25 anos, insiste que sim. "Mesmo se for um algoritmo criando a imagem, foram pessoas que decidiram fazer isso, imprimir em uma tela, assiná-lo com uma fórmula matemática e colocá-lo em uma moldura dourada", afirmou à agência de notícias AFP. O artista comparou o trabalho da IA com as primeiras fotografias, da década de 1850. Segundo os críticos da época, elas não eram arte e destruiriam os pintores.

Richard Lloyd, diretor de gravuras da Christie's, insistiu para que o coletivo colocasse a tela à venda, a fim de fomentar o debate sobre a inteligência artificial na arte. "De alguma forma, isso marcou uma linha divisória", disse o executivo à AFP.

Deixando de lado o debate do valor artístico, existem questões legais também. O artista é o coletivo ou o algoritmo? Os direitos autorais ficam a cargo de quem? Para Lloyd, este é apenas o começo da arte de inteligência artificial. /Com AFP

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