Arnaldo Antunes diz que o iê iê iê lhe cai bem

Amanhã, ele leva novo CD, mais dançante e contando também com baterista, a Belo Horizonte: São Paulo só em outubro

Adriana Del Ré, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Arnaldo Antunes não escapou do dilúvio que despencou sobre São Paulo na terça. Deveria pegar um voo no Rio nesse dia, no início da tarde, para falar sobre seu novo CD, Iê Iê Iê, com a imprensa paulistana. Só embarcou horas depois e o avião dele só conseguiu pousar em Viracopos, em Campinas.

A entrevista ficou para o dia seguinte, mas, sob os efeitos positivos do iê iê iê, Arnaldo não perdeu o bom humor.

Menos cabeça e mais dançante, o novo trabalho traz de volta à banda do cantor e compositor um velho integrante, a bateria, que havia ficado de fora de seus dois últimos CDs, Qualquer e Ao Vivo no Estúdio. Mas não por uma súbita implicância de Arnaldo com o instrumento. Por um tempo, preferiu ficar só com as cordas e o piano por uma questão de leveza. ''Eu tinha o desejo de explorar os tons graves da minha voz. Por isso, essa formação mais leve, que evidencia mais a canção'', explica.

Agora, a história é outra. E a atmosfera que ele queria imprimir, ao sabor da Jovem Guarda, Beatles, surf music, trilha de faroeste, Rita Pavone, clamava por um baterista. Recrutou Curumim, com quem já conhecia de outros trabalhos-solo. Nas guitarras, o reforço veio com Edgard Scandurra, outro velho conhecido de discos e palcos. Os dois, aliás, lançaram recentemente um CD infantil, Pequeno Cidadão.

Curumim e Scandurra se aprochegaram a Chico Salem (violão e guitarra), Betão Aguiar (baixo) e Marcelo Jeneci (teclados), e o power quinteto segue com Arnaldo na turnê de lançamento do disco, patrocinado pelo Natura Musical, que tem início amanhã, em Belo Horizonte, e passa por São Paulo nos dias 15, 16 e 17 de outubro. O cenário pop, criado a partir de 600 camisetas, doadas e compradas, é da artista plástica Márcia Xavier, amiga do compositor, e o figurino de Marcelo Sommer.

Juntos, Arnaldo e banda dão uma cara atualizada a uma pegada melódica que muitos pensavam extinto - tudo, claro, dentro do patrão letra e música do compositor. Como Arnaldo diz não pertencer a nenhum gênero musical, ele achou que Iê Iê Iê lhe caía bem. Invejoso (parceria com Liminha) foi uma das músicas que me levaram a ter essa ideia, porque traz muito desse espírito'', conta.

Num revival de Os Tribalistas, Arnaldo, Carlinhos Brown e Marisa Monte assinam parceria de Vem Cá e da faixa-título. ''Essa música estava incompleta. Trocamos o hu-hu-hu pelo iê iê iê na letra e pronto'', diverte-se.

Os amigos titânicos também marcam presença. Sua Mentira, parceria com Liminha e Paulo Miklos, foi feita originalmente para um Cd-solo de Miklos, mas como o músico deu tempo no projeto, Arnaldo a aproveitou. E lá se vão 20 anos das canções Sim ou Não (parceria com Branco Mello) e Luz Acesa (Marcelo Fromer e Sérgio Brito), tiradas do baú do Arnaldão especialmente para esse álbum. Com Ciro Pessoa, da primeira formação dos Titãs, Arnaldo resgatou Um Quilo, dos anos 90. Com produção de Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, o CD Iê Iê Iê é a saga festiva de Arnaldo Antunes, boa de ser ouvida em dias ensolarados. Ou mesmo em tardes de chuvas torrenciais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.