SERGIO CASTRO/ESTADÃO.
SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Anexo da Galeria Millan vai abrigar obras e ações de artistas

Ainda em construção, espaço contará por 10 dias com a exposição 'No Sound', com curadoria de Sofia Borges

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2015 | 16h00

Meses atrás, entre leituras filosóficas e uma porção de pesquisas sobre cavernas pré-históricas e o simbolismo em torno de mitos, fantasmas, a tragédia, fósseis, o teatro, a linguagem, o olho e até monstros, a artista Sofia Borges pensou que poderia realizar uma exposição como “habitar uma ruína”. Um espaço ainda em pleno processo de construção, o futuro anexo da Galeria Millan, localizado na Rua Fradique Coutinho, número 1.416, calhou bem para seu projeto – e tomando também para si o papel de curadora, ela convidou outros criadores a participarem da mostra No Sound, que será inaugurada nesta terça-feira, 3,  à noite e ocorrerá no local por apenas dez dias.

“A ideia original era misturar meus trabalhos com os de alguns amigos para pensar sobre questões relacionadas à abstração, colagem e a impossibilidade de algo ser plenamente compreensível”, descreve Sofia Borges, de 30 anos. A frase “Todo objeto é um enigma”, que estará logo na entrada do espaço, recebendo os visitantes, dará a tônica dessa investigação conceitual, material e experimental proposta pela artista. 

Em um primeiro momento, ela conta, a mostra vai começar com suas obras, além de pinturas de Antonio Malta Campos, esculturas de Erika Verzutti e criações de Paulo Monteiro, Rafael Carneiro e do grego Theo Michael. Depois, durante três fases previstas, o cenário de No Sound vai sendo aos poucos modificado pela realização de novos trabalhos e ações – entre elas, performances – de outros participantes.

Teatro. “É uma exposição diferente de tudo e suas obras são como personagens de uma espécie de peça de teatro”, diz o pintor Antonio Malta Tavares, de 53 anos. “São como personagens de uma tragédia grega”, completa Sofia Borges, citando ainda como importante fonte de pesquisa o texto A Morte do Autor, do escritor, crítico, filósofo Roland Barthes – principalmente, a passagem na qual o francês fala do “trágico” como mal-entendimento.

A mostra, assim, é mais um questionamento sobre ideias complexas em torno de representação, mímese, significado, tradução, materialidade e experiência sensível. A noção de estranheza parece indicada a ser uma característica permanente ao longo de toda a exposição, que se inicia com a exibição de “objetos iniciais” concebidos por um grupo de artistas que, como Sofia Borges, trazem a questão de “enigma” como tema recorrente em suas poéticas.

Nos momentos seguintes de No Sound, como conta a artista-curadora, tanto as obras inicialmente expostas como o espaço que abriga a intensa experimentação vão se tornar “passivos” para a atuação de criadores como Ana Mazzei, Cristiano Lenhardt e Leda Catunda. “Fui convidado para trabalhar a ideia de transcendente”, afirma Rodrigo Cass, que estará na segunda fase da exposição. Frei carmelita até 2008 e hoje artista representado pela Galeria Fortes Vilaça, Cass explica que conceitos em torno da “transparência, opacidade e brilho” estão relacionados às ações que vai realizar com Sofia. Outro exemplo, ainda, será a participação de Mauro Restiffe, que vai fotografar o processo da mostra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.