Andy Summers/Divulgação
Andy Summers/Divulgação

Andy Summers, ex-guitarrista do Police, fala da exposição que abre galeria em SP

Embora seja mais conhecido como músico, artista tem uma carreira consolidada na área da fotografia; veja algumas imagens

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

30 Julho 2015 | 03h00

Embora seja conhecido como guitarrista do extinto grupo The Police, Andy Summers tem uma carreira consolidada como fotógrafo. Desde a época em que tocava ao lado de Sting e Stewart Copeland, Summers já carregava sua câmera em todas as turnês, publicando três livros com suas fotos – o primeiro, Throb, lançado em 1983, ano em que o grupo se desfez. Na próxima semana, Andy Summers volta a São Paulo para inaugurar a Galeria Leica, que abre suas portas dia 5, quarta-feira, com sua exposição Del Mondo. Como indica o título da mostra de Summers, são imagens que ele registrou em viagens ao redor do mundo – 42 fotos feitas entre 1978 e 2014.

Seja em Tóquio, Los Angeles, Bali, Rio ou Londres, Summers saía às ruas animado como um flâneur, topando com cenas do cotidiano das cidades. Quando entrava num bar ou num restaurante, buscava sempre um rosto anônimo com uma história estampada nele, como o do garçom da churrascaria Porcão, no Rio, que está na mostra. Nas ruas, os tipos tristes e melancólicos eram invariavelmente os escolhidos, como um idoso de Zanzibar, um jovem negro na noite ou simplesmente o reflexo de um transeunte numa poça de chuva londrina.

“Passo bastante tempo fotografando Londres em noites de chuva, que são muito frequentes na cidade”, diz Summers, em entrevista exclusiva ao Caderno 2. “Gosto da atmosfera do fim de noite, do lado escuro da metrópole.” Uma foto dessa série, Desirer London, registrada em 2004, parece mesmo o fotograma de um filme fotografado por Otto Heller, veterano profissional checo que deixou sua marca em clássicos londrinos dos anos 1960, entre eles a antiga versão de Alfie. “Não é intencional, mas eu cresci em Londres nessa época, embora não pense nesses tempos quando estou fotografando.”

Todas as fotos na exposição Del Mondo são em preto e branco. Summers fotografa também em cores, mas prefere o “realismo” das imagens em p&b. “ Fui muito influenciado pelas fotos de Robert Frank, carregadas de melancolia e tristeza – desolação americana que era ao mesmo tempo poética, assustadora e, do ponto de vista artístico, muito estimulante”, justifica. Além de Robert Frank – na verdade um fotógrafo suíço, hoje com 91 anos, que registrou a evolução da cultura ‘on the road’ nos EUA dos anos 1950 –, outro fotógrafo que marcou a formação de Summers foi William Klein, da mesma geração de Frank, que partiu da fotografia de moda para filmes experimentais como Quem É Você, Polly Maggo? (1996) e Mr. Freedom (1969).

William Klein foi aluno do pintor cubista Léger. Summers também estudou pintura durante anos e acredita que ela tenha marcado sua formação estética, tanto quanto a fotografia. “Imagino que deva ter sido um grande desafio para um pintor viver em 1850, quando a fotografia foi inventada, mas hoje as duas atividades convivem com a mesma força e autonomia.”

Desde o começo de sua carreira como fotógrafo, Summers só usa câmeras fabricadas pela Leica. “Foi o fotógrafo nova-iorquino Ralph Gibson quem me apresentou uma delas anos atrás”, conta. Summers logo se adaptou a ela. “Câmeras são como guitarras, têm de se ajustar bem às mãos, e posso dizer que a Leica não foi utilizada pelos grande fotógrafos por acaso.” Gibson é um exemplo disso: desde os anos 1960, quando fotografava os outsiders de São Francisco e Nova York, ele usa a câmera alemã, que também acompanhou Cartier-Bresson em suas viagens pelo mundo.

“Ralph Gibson teve um impacto enorme em meus experimentos com fotografia, pois percebi em seu trabalho uma conexão forte com o mundo dos sonhos, como a abstração musical que acabou me conduzindo ao mundo das imagens.” De fato, há séries inteiras de Gibson – entre elas Infanta, que ele começou em 1961 e retomou este ano, toda dedicada ao corpo feminino – que são adotadas como modelos em fotos como a de uma loira nua chamada Ingrid, que Summers fotografou em Bali há 30 anos.

Outra ninfeta registrada pelo guitarrista, em Tóquio, não tem nome nem rosto. Sabe-se apenas que é uma garota japonesa (na foto maior desta página) com um álbum do cantor Elvis Presley nas mãos. “Estava vivendo num hotel em Tóquio e, ao sair para um passeio no parque, acabei encontrando esse antigo LP de Elvis, que comprei sem propósito determinado.” Por que, então, ele escondeu o rosto da garota? “Não sei a resposta.” O acaso e a sorte contam muito para um fotógrafo, admite Summers. “Mas você precisa estar atento quando sai à rua, pois, depois de um tempo, tudo parece como uma fotografia.”

A exposição de Andy Summers tem como curadora a alemã Karin Rehn-Kaufmann, responsável por todas as mostras nas unidades da Leica Gallery no mundo. A de São Paulo ocupa um edifício art déco dos anos 1930 em processo de tombamento histórico, em Higienópolis, que tem dois contêineres anexos ao prédio.

DEL MONDO

Leica Gallery. Rua Maranhão, 600, Higienópolis, telefone 3512-3909. 3ª a sáb., 11h/19h. Abre 4ª, dia 5/8, às 19h. Até 5/10

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