Andrew Keen combate amadorismo da internet

Pesquisador inglês é contra sites como YouTube e Wikipedia

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Cansado das infinitas bobagens que inundavam a tela de seu computador, o inglês Andrew Keen atacou a rede mundial pelas vias tradicionais: escreveu o livro O Culto do Amador (Jorge Zahar), no qual prega que a internet piora a qualidade da informação e ameaça a cultura. A resposta raivosa veio principalmente em blogs, ainda que uma crítica elogiosa do The New York Times ajudou a salvá-lo da total crucificação e, de quebra, a transformá-lo no líder contemporâneo entre os críticos da internet. "Não gosto dessa posição", disse ele ao Estado, por e-mail. "Há outros nomes importantes como Susan Greenberg, professora de neurociência da Universidade de Oxford; e John Freeman, editor da revista Granta e autor de um livro que está por sair, Tyranny of E-Mail (Tirania do E-Mail).

Keen deverá dar mais explicações como essa na tarde de hoje, quando, às 17 horas, vai participar com Caio Túlio Costa do debate Banalização da Cultura na Era da Rede Global, no espaço Café Literário da Bienal do Rio - na segunda-feira, ele estará presente em outro encontro, agora em São Paulo, às 19h30, na Livraria da Vila da Alameda Lorena. "Juntos, formamos o grupo crítico contra a ideologia de tecno-utópicos como Lawrence Lessig e Chris Anderson."

O pesquisador inglês não se indispõe contra a tecnologia em si, mas contra a chamada web 2.0, baseada no conteúdo feito por usuários, seja em blogs ou em sites, como YouTube e Wikipédia. "Gosto da irreverência e da energia encontradas na web e, subversivo como sou, adoro acompanhar o espetáculo da insubordinação", reconhece. "Mas, as pessoas que me apoiam (professores, bibliotecários, pais), também reconhecem o malefício aos jovens com a desaparição de culturas intermediárias e com o domínio de portais de informação rasa como Wikipédia."

Keen reconhece a impossibilidade do cotidiano viver sem internet, especialmente por serviços prestados como o comércio eletrônico e a livre divulgação de informações. Ele ressalta, no entanto, o perigo do nivelamento por baixo que hoje condiciona a cultura, o que também ocorre em outros meios de comunicação. "O maior problema é essa aceitação do culto amadorístico a programas de TV como o lixo de reality shows, e outros tipos semelhantes que também invadem o rádio", afirma. "Os meios de comunicação de massa perderam, infelizmente, seu rigor diante da radical democratização da cultura. E, ao acontecer isso, seria também uma ameaça à nossa própria existência."

O autor de O Culto do Amador acredita ainda que o crescente interesse por novas tecnologias de comunicação é um dos fatores que explicaria a queda de vendagem de jornais e revistas. "As pessoas não leem mais porque estão usando cada vez mais a web", observa. "Mas há também razões culturais para explicar essa queda de leitura: o desinteresse contemporâneo pelo mundo exterior, uma vez que predomina a cultura do narcisismo aliada a uma crescente preguiça mental."

Indagado sobre que tipo de líderes poderão emergir em uma sociedade dominada pela internet, Andrew Keen foi irônico: "Pessoas como eu, especializadas na autopromoção."

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