Ancestralidade é fonte inesgotável de inspiração

Coreografias da Cloud Gate compreendem desde a filosofia budista até jornadas espirituais pelo oriente

O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2007 | 00h00

Por onde passa, a Cloud Gate emociona. Os movimentos aéreos minuciosamente desenhados pelos bailarinos, cuja capacidade de concentração e equilíbrio surpreende, e a poesia embutida nos temas ancestrais desconhecidos por boa parte do ocidente já encantaram diversos lugares do mundo, inclusive o Brasil. Tanto Songs of the Wanderers (Canções dos Peregrinos), montada em 1994 e trazida a São Paulo em 2003, como Moon Water, de 1998, apresentada por aqui em 2004, foram ovacionadas no Teatro Alfa - e marcaram a vida artística dos integrantes da companhia que leva o nome da mais antiga dança conhecida da China, que data de 5 mil anos atrás. ''''Nosso ''''debut'''' brasileiro foi triunfante'''', relembra o coreógrafo Hwai-min. Canções dos Peregrinos remete à jornada espiritual realizada por Sidarta, personagem homônimo ao livro escrito pelo alemão Hermann Hesse, e também à viagem do diretor de Cloud Gate a Bodhgaya, lugarejo situado ao norte da Índia onde acredita-se que nasceu o budismo. Já Moon Water se baseia em dois conceitos: no provérbio budista que diz que ''''as flores no espelho e a lua na água são ambas ilusórias'''' e no estado ideal dos praticantes de Tai Chi em que a ''''energia flui como a água, enquanto o espírito brilha como a lua'''' - um estudo sobre o tempo, sobre a diferença entre o real e o imaginário, o yin e yang. Cursive (2001) e Cursive II (2003), ainda inéditas no País, formam com Wild Cursive (2005) a trilogia desenvolvida sobre os movimentos da caligrafia chinesa. ''''Após diversos estudos, notei que apesar da diferença entre os estilos, elas possuem um elemento comum: a energia concentrada com a qual os calígrafos ''''dançam'''' enquanto escrevem'''', diz Hwai-min. Em 2000, os bailarinos passaram a acompanhar o trabalho dos calígrafos semanalmente para, um ano depois, partirem para a improvisação no palco. ''''Eles absorveram a energia, ou Chi, do calígrafo, e reproduziram a ''''rota'''' da tinta, cheia de curvas líricas e pontuações fortes, que acabaram por resultar em Cursive.'''' Já Cursive II, com trilha de John Cage, explora as sombras mais suaves, que incitam à meditação e evocam a qualidade serena da porcelana da Dinastia Sung, que governou a China de 960 a 1275.

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