Análise química dos pigmentos é teste final de autenticidade

Geóloga e restauradora, Eva Mori prepara tese sobre os componentes materiais das pinturas do mestre modernista

Antônio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 03h00

Volpi começou a pintar cedo, aos 18 anos, em 1914. O leilão de sua tela vermelha coincide com o centenário de sua primeira obra, inicialmente figurativa, que foi ganhando outras características até chegar a ser classificada ao lado da produção dos concretos, embora Volpi não fosse homem de movimentos. Assim, a pesquisa da geóloga e restauradora Eva Kaiser Mori sobre o pintor se detém menos no estilo e mais no material usado por Volpi.

Em parceria com o Instituto de Física da USP, a jovem pesquisadora analisou várias têmperas de Volpi pertencentes ao acervo do Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP), entre elas Carnaval de Cananeia, pintada nos anos 1950, em que detectou pigmentos raros como o nióbio, elemento químico descoberto no começo do século 19 e que fez a fortuna de empresários como o banqueiro Walter Moreira Salles.

Usando equipamentos de fluorescência de raios X e espectrofotômetro, Eva Mori conseguiu, por exemplo, identificar a diferença entre os brancos usados por Volpi. No fim da década de 1940, o pintor começou a usar têmpera em alguns trabalhos, retomando uma técnica antiga já usada na Itália nos séculos 13 e 14. O processo marca não só uma mudança no material (do óleo para a têmpera, que evitava a transparência do primeiro), mas uma alteração de rota em direção ao passado - a redescoberta de Giotto e Piero della Francesca.

“É possível identificar uma tela de Volpi pelos pigmentos e cores que ele usa com mais frequência”, garante a pesquisadora Eva Mori. “Ele, por exemplo, começou a usar o preto nos anos 1970 e seguiu com ele até o último período.” Nessas pesquisas, ela descobriu que algumas telas revelam outras composições sob a pintura definitiva, caso de Carrinho de Sorvete (1953), tela que o crítico Theon Spanudis doou para o acervo do MAC/USP.

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