EDISON VEIGA/ESTADÃO
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Análise: A influência de Ponti e a sua percepção da poesia que há no caos

Ele transcende o estereótipo vigente até hoje a respeito de um design italiano de formas puras

Henrique de Carvalho, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2018 | 06h00

Gio Ponti projetou casas, edifícios, interiores, intervenções em patrimônio histórico e criou ícones do design italiano. Sua abrangência é inalcançável. Agitador cultural, influenciou muitas gerações de profissionais através da revista Domus, criação sua, respeitada por sua qualidade editorial, gráfica e por promover o debate e o desenvolvimento conceitual sobre o projeto em todas as suas variações.

Para além do modernismo, podemos ver o eco da liberdade de seu desenho na arquitetura desconstrutivista dos anos 80-90 e na arquitetura holandesa mais recente (1995-2005).

Ele transcende o estereótipo vigente até hoje a respeito de um design italiano de formas puras, bastante cartesiano e operando variações de geometrias platônicas. Apesar de ter também explorado as possibilidades das formas puras, seu traço foi sempre muito solto, destacando certa predileção por triângulos e geometrias irregulares.

A correspondência com sua jovem colaboradora, Lina, indica pontos de convergência em seus trabalhos. Convergem menos pelo traço e mais pelo método. Ambos compartilharam o gosto pela informalidade, pelo imprevisto e pela percepção da poesia e beleza que há no caos aparente de estruturas formais pensadas para serem assim.

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