Ana Cristina Colla faz poesia corporal com Você

Primeiro solo dessa atriz do Grupo Lume ganha a direção do mestre de butô, o japonês Tadashi Endo

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2009 | 00h00

Ana Cristina Colla é atriz do Grupo Lume, de Campinas, desde 1993. Como tal, estava entre os criadores e intérpretes de espetáculos de reconhecida beleza como Café com Queijo e Shi-Zen Sete Cuias, este último com direção e coreografia do mestre de butô Tadashi Endo. Pois esse artista japonês volta agora a dirigir Ana Cristina no solo Você, que estreia em São Paulo, hoje para convidados e amanhã para o público, na Sala Crisantempo, e promete ser mais um dos bons espetáculos entre os 23 da premiada trajetória do Lume.Você é um espetáculo sem palavras, daquelas criações de fronteira, não poderia ser chamado de butô, nem de dança, nem é teatro em sua forma mais tradicional. "Nunca fiz dança na vida, toda minha formação é teatral, não me considero uma dançarina de butô", diz Ana Cristina. "O interesse está mesmo nesse processo híbrido de criação." O resultado é trazer à tona possibilidades de expressão corporal que talvez o olhar de um diretor teatral deixasse passar. "E aliar a isso uma certa qualidade de conteúdo e intensidade que é do teatro."Ana Cristina conta que hesitou em usar seus poemas como matéria-prima. "Tinha medo que ficasse em torno do meu umbigo." Porém, Tadashi esmiuçou cada poema em busca de reduzi-los ao essencial, poucas palavras, e assim, aos poucos, o espetáculo foi se estruturando em três grandes movimentos: velhice - com sua serenidade -, idade adulta - o tempo do erotismo - e infância, e seu vigor físico.Soa meio óbvio? Esqueça essa possibilidade. Pois justamente na infância a movimentação corporal é minimalista, por exemplo. "Comecei correndo por todo o palco, mas aos poucos, com Tadashi, surgiu outra qualidade vigor, igualmente intenso, vibração sem explosão." Rapidez e nudez marcam o corpo erótico da idade adulta. Ana Cristina conta que levou ao ensaio um amigo escritor. "Ele disse que as palavras estavam em cena e podiam ser lidas, mesmo não ditas." Alguns poemas, projetados no palco, parecem mais telas do que páginas.

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