Amarcord, o eterno sucesso popular de Federico Fellini

Amarcord (Max Prime, 9h30) é não apenas um dos grandes filmes de Federico Fellini. É, também, uma rara combinação de sucesso popular com filme de arte. Quer dizer, apreciado tanto por "especialistas" como por quem apenas e tão-somente gosta de cinema, sem fazer dele meio de vida, no sentido profissional do termo. Essa popularidade, que se estende através dos anos, tornou algumas cenas tão famosas como bordões populares. Por exemplo, a população que toma um barco para ver a chegada do transatlântico Rex, que aparece em meio à bruma. Ou a cena do menino (Bruno Zanin) com a vendedora de cigarros peituda. Fellini evoca sua infância em Rimini, e o faz de maneira que tudo pareça encantado e imaginário, como a iniciação sexual com prostitutas, as aulas na escola provincial, o pai neurótico, mas ao mesmo tempo terno, a morte da mãe, etc. É uma memorialística que não dispensa aspectos políticos, como a presença do fascismo na vida cotidiana dos italianos, com seu ridículo e também com sua violência. O filme tem ritmo, humor, ternura, profundidade e espessura. Ah, sim. Amarcord, no dialeto de Rimini, quer dizer "Eu me recordo". Uma verdadeira obra de arte, com a trilha sonora sublime de Nino Rota.

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