Amanhã é dia de chorar sem parar na praça, por 12 horas

A 5.ª edição do festival de São Carlos homenageia Zé da Velha e Jacob do Bandolim

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

Como já manda a tradição, dezenas de chorões vão se reunir amanhã em São Carlos, interior de São Paulo, para participar do maior evento do gênero. Serão 12 horas de programação ininterrupta e gratuita, concentradas na Praça XV, a ter início às 10 horas. A 5ª edição do festival ChorandoSemParar presta homenagem a dois grandes nomes do choro: o trombonista Zé da Velha, que marcará presença amanhã às 20h30 ao lado de Silvério Pontes, Charles da Costa, Alexandre Maionese, Rodrigo Jesus e Alessandro Cardoso; e ao inesquecível Jacob do Bandolim, cujo legado será lembrado pelo bandolinista Aleh Ferreira. A filha do autor de Doce de Coco, Elena Bittencourt, vai passar às mãos de Aleh o bandolim que pertenceu ao seu pai. Após a apresentação, será exibido o curta O Choro Dele, de Leylani Fernandes, que retrata a biografia desse considerado um dos maiores chorões da história."A receita para esse festival ter-se tornado tão bacana é conseguir agregar diferentes formações de choro, que vai da orquestra a uma tendência mais jazzística, e não se limita ao tradicional", diz Fátima Camargo, assessora de eventos do Projeto Contribuinte Cultura, gerenciado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e parceiro da prefeitura, responsável pela realização do festival anual. A participação de Kiko Loureiro, guitarrista da banda de metal Angra, ilustra bem esse espírito. Às 14 horas, ele mostrará como é que se faz choro com a guitarra, junto a Thiago Espírito Santo e Cuca Teixeira.A participação de músicos estrangeiros no ChorandoSemParar continua cativa. O violinista Nicolas Krassik, que participa desde a primeira edição do festival, já abocanhou inclusive o cargo de embaixador honorário do evento. O francês vai chorar às 16h30, seguido por Luciana Rabello, Cristóvão Bastos, Toninho Carrasqueira, Celsinho Silva e João Lyra. Por sua vez, o maestro e saxofonista americano John Berman fará participação especial logo após o show do grupo Bola Preta (não confundir com o bloco de carnaval carioca), composto pela nata de alguns chorões paulistas - Martha Ozzetti (flauta), João Poleto (sax e flauta), Rubens L. Filho (bandolim), Ruy Weber (7 cordas), Paulo da Rosa (violão), Marcos Coin (violão), Ildo Silva (cavaquinho) e Roberta Valente (pandeiro).ChorandoSemParar, que pela primeira vez conta com o apoio da Lei Rouanet, o que permitiu captar o orçamento estimado em R$ 185 mil, também abre espaço para jovens talentos da região, que se apresentarão principalmente no período matutino. "O choro é ainda muito associado às pessoas mais velhas e, de uns 15 anos para cá, o interesse de jovens pelo gênero vem crescendo. São Carlos ajuda a propiciar esse movimento por abrigar centenas de estudantes, o que acaba favorecendo a consolidação do festival", diz Fátima.Os mestres-de-cerimônias convidados dessa edição são Elza Soares e Luiz Melodia, que obviamente não deixarão o público de São Carlos sem o prestígio de uma palhinha.

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