Alma negra e traição embalam as lendas

Tão saboroso quanto mergulhar ao lado de peixes, arraias, tartarugas e tubarões é descobrir os mistérios que rondam os naufrágios. Muitos são uma incógnita até hoje. E na falta de uma explicação certeira sobre o acidente, ou na preferência por uma versão mais romântica, as lendas ganham território. Uma das mais conhecidas envolve o episódio que pôs a pique o Vapor Bahia, em Pernambuco, em março de 1887. "Dizem que a mulher do capitão do Pirapama tinha um caso com o capitão do Bahia. E que eles tinham jurado bater um contra o outro quando se encontrassem no mar", conta o biólogo e mergulhador Maurício Carvalho. "Já provamos que isso é uma lenda, mas o pessoal adora uma história de traição." Fato é que a proa do Pirapama atingiu o Bahia na noite do dia 24 e, enquanto o primeiro retornava avariado ao porto, o segundo afundou dez minutos depois. Há também navios que nascem marcados para a tragédia. "Alguns têm alma negra. Parece que foram fadados à desgraça", comenta o biólogo, referindo-se ao norueguês Blackadder. Logo na primeira viagem, em 1870, o barco teve três acidentes com o mastro entre Londres e Rio. Três anos depois, a mesma parte foi perdida durante um furacão no Pacífico. Em 1905, quando a maldição parecia ter dado trégua, um temporal arremessou o Blackadder, que estava ancorado na Praia de Boa Viagem, na Bahia, contra os recifes. Desta vez, o navio encontrou a paz no fundo do mar.

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