Além da conotação religiosa

Influência do candomblé definiu o estilo de samba de Baden

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Quem definiu o termo afro-sambas, que deu título ao histórico álbum de 1966, o mais famoso e incensado de Baden, foi Vinicius de Moraes como conta Dominique Dreyfus na biografia O Violão Vadio de Baden Powell. "Mesclando harmonias dos cantos gregorianos e africanos com a batida dos tambores do candomblé, Baden acabava de criar um novo tipo de samba e uma batida que ficaria sendo uma marca pessoal dele."Além de gravações avulsas de canções como Consolação e Berimbau, os afro-sambas foram, recentemente, temas de álbuns inteiros de Virginia Rodrigues, Mônica Salmaso e Paulo Belinatti. O próprio Baden os regravou num álbum de violão-solo em 1990, lançado postumamente no Brasil. A partir de um certo período, Baden tornou-se evangélico, e passou a não mencionar mais as referências do candomblé.O avô de Philippe, Vicente Tomás de Aquino, foi batizado com nome de santo e toda a família sempre foi ligada ao candomblé. "Baden não renegou o que fez. Renegar é muito forte, quer dizer que você enterra uma parte de sua existência. Ele passou a se dedicar a uma religião e a seguir suas regras, então cantava o Samba da Bênção, mas não falava os nomes dos orixás, nem dizia saravá, que é uma saudação iorubá. Ele deixou de dar uma conotação religiosa à música", diz o filho mais velho do gênio. É curioso que Afrosambajazz termine com Domingo de Ramos, que é uma festa católica.Na Europa, onde viveu períodos gloriosos da carreira, Baden continua sendo "muitíssimo respeitado", segundo Philippe, e sua música ainda é muito presente por causa das parcerias com artistas europeus. Isso só reforça o apelo internacional de Afrosambajazz. "A expectativa é de que esse trabalho tenha boa receptividade lá fora."A superbanda que gravou o CD e toca em São Paulo tem sete instrumentistas de sopros - Teco Cardoso, Eduardo Neves, Henrique Band, Everson Moraes, Eduardo Prado, Jessé Sadoc e Joana Adnet. O trompetista Pedro Paulo de Siqueira (expoente do samba-jazz, do grupo de J.T. Meirelles), a cantora Mônica Salmaso e Antonia Adnet (violão 7 cordas) fazem participação especial. Além de Adnet e Philippe, completam o elenco o percussionista Armando Marçal, o baixista Jorge Helder, o acordeonista e pianista Marcos Nimrichter, o baterista Jurim Moreira e Antonia Adnet. Músicos de fora, como Aquiles, do MPB-4, e Charles Gavin, dos Titãs, consideram que Afrosambajazz já nasceu "histórico", "clássico". Pode crer.

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