Airto Moreira, sons do Oriente e uma revelação baiana

Foram algumas das boas atrações da 16ª edição do Percpan em Salvador

Lauro Lisboa Garcia, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

A passagem do Beirut na primeira noite da 16ª edição do Percpan, tanto pelo tipo de público que atraiu como pela rara presença de instrumentos de percussão na primeira noite em Salvador, foi algo atípico na história desse importante festival. Além do Trio 3-63 - formado pelo percussionista Marcos Suzano, curador do evento, o pianista Paulo Braga e a flautista Andréa Ernest Dias -, que tocava nos intervalos dos shows, a primeira noite foi dedicada mais aos técnicos de som e se configurou pela manipulação de sons e ritmos por meios eletrônicos.

Os franceses Cyril Hernandez e Cyrille Brissot utilizaram recursos audiovisuais, numa bem-humorada apresentação, em que até as paredes do teatro e uma pia cheia de água serviram de instrumentos. De percussão, os japoneses da Oki Dub Ainu Band não tinham nada, mas realizaram duas boas performances em uma. A primeira com a banda toda mesclando instrumentos e ritmos tradicionais com tecnologia e atitude roqueira; e a segunda com o guitarrista Expe fazendo longo número de space guitar.

No sábado, programa que se repete amanhã no Rio, o destaque foi o pandeiro. Com diferentes modelos, timbres, origens e nas mãos de tocadores de técnicas e estilos próprios, o instrumento reverberou forte em bons shows. Suzano fez um duo empolgante com o italiano Andrea Piccioni. O baiano Emerson Taquari, com seu grupo, esbanjou técnica e criatividade na mais reveladora apresentação do festival. A combinação do oud (tradicional instrumento de cordas) do palestino Ahmad Al-Khatib com a percussão o alemão David Kuckhermann também proporcionou uma bela apresentação.

O mestre Airto Moreira com sua banda Eyedentity também tinha seus trunfos. O que a princípio parecia mais um show para gringo, com Flora Purim no vocal, surpreendeu nos solos de Diana (em tributo a capella a Nina Simone) e Krishna Booker (fazendo malabarismos vocais de beatbox). Para 2010, o Percpan está em negociação com a banda de Stewart Copeland (baterista do extinto The Police) e pretende também levar Marisa Monte, um antigo desejo da produtora Beth Cayres.

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