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Ai Weiwei relembra tempo que passou na prisão em exposição na Espanha

Visitantes têm de olhar através de pequenos buracos para dentro das rígidas e cinzentas caixas para ver cenas em 3D

Catherine Bennett, Reuters

25 Julho 2016 | 15h55

CUENCA, Espanha - O artista Ai Weiwei reproduziu cenas de seu encarceramento para uma nova instalação artística, uma série de dioramas - dentro de caixas de aço - quase em tamanho real mostrando sua vida na prisão.

Visitantes da exibição, em uma catedral no centro da Espanha, têm que olhar através de pequenos buracos para dentro das rígidas e cinzentas caixas para ver cenas em 3D, as quais mostram Ai observado por dois guardas uniformizados ao comer, dormir, tomar banho e utilizar o banheiro em sua pequena cela. 

Ai Weiwei, um dos mais conhecidos artistas e ativistas políticos da China, foi preso por 81 dias sob acusação de evasão de impostos em 2011. A China confiscou seu passaporte, apenas o retornando em julho do ano passado. 

Sua instalação, chamada S.A.C.R.E.D., é destaque em uma série de eventos intitulada A poesia da liberdade, que acontece na Espanha para marcar o aniversário de 400 anos da morte de Miguel de Cervantes. 

 

O escritor espanhol foi mantido como escravo em Argel por cinco anos antes no fim do século 16 e passou meses na cadeia na Espanha posteriormente por discrepâncias contábeis, onde se acredita que ele tenha concebido a ideia de sua obra-prima Don Quixote

Uma citação desse livro, sobre um senhor de meia-idade obcecado pela ideia de ser cavaleiro que viaja pela Espanha em seu fiel escudeiro Sancho Panza, adorna a exibição de Cuenca: “Liberdade, Sancho, é um dos presentes mais preciosos que o céu já deu a um homem”.

A exibição, realizada na catedral do século 12 na cidade medieval fortificada de Cuenca, será inaugurada em 26 de julho e se prolongará até 6 de novembro. 

 

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