TOBIAS SCHWARZ | AFP
TOBIAS SCHWARZ | AFP

Ai Weiwei organiza coleta para conseguir peças de Lego

Artista chinês postou fotos nas redes sociais protestando contra a empresa

AFP

26 Outubro 2015 | 10h40

O artista dissidente chinês Ai Weiwei vai instalar pontos de doação de peças de Lego, anunciou nesta segunda-feira, 26, depois de acusar a empresa dinamarquesa de se negar a conceder a ele um pedido devido a suas motivações políticas.

O jogo infantil foi envolvido em uma controvérsia nas redes sociais quando Ai denunciou que o Lego se negou a enviar um pedido porque a empresa "não pode aprovar a utilização de (suas peças) para fins políticos".

"O estúdio Ai Weiwei anunciará (...) pontos de coleta em diferentes cidades" para conseguir as peças, anunciou nesta segunda-feira uma publicação na conta do Instagram do pintor, escultor e artista iconoclasta.

O polivalente artista chinês é muito crítico ao governo de Pequim, mas as tensões parecem ter diminuído nos últimos tempos.

Ai já havia utilizado este jogo para construir retratos de ativistas políticos de todo o mundo para uma exposição na prisão de Alcatraz, nos Estados Unidos, no ano passado, e pretendia criar uma obra similar para uma mostra na Austrália.

"Ai Weiwei decidiu fazer uma nova obra para defender a liberdade de expressão e a 'arte política'", acrescentou em sua conta do Instagram.

 

 

"We're here to inspire and develop the builders of tomorrow" (twitter.com/LEGO_Group) In June 2015 Ai Weiwei Studio began to design artworks which would have required a large quantity of Lego bricks to produce. The works were planned for the exhibition "Andy Warhol / Ai Weiwei" at the National Gallery of Victoria in Melbourne, Australia, to open in December 2015. The artworks' concept relates to freedom of speech. The museum's curatorial team contacted Lego to place a bulk order and received Lego's reply via email on 12 September 2015: "We regret to inform you that it is against our corporate policy to indicate our approval of any unaffiliated activities outside the LEGO licensing program. However, we realize that artists may have an interest in using LEGO elements, or casts hereof, as an integrated part of their piece of art. In this connection, the LEGO Group would like to draw your attention to the following: The LEGO trademark cannot be used commercially in any way to promote, or name, the art work. The title of the artwork cannot incorporate the LEGO trademark. We cannot accept that the motive(s) are taken directly from our sales material/copyrighted photo material. The motive(s) cannot contain any political, religious, racist, obscene or defaming statements. It must be clear to the public that the LEGO Group has not sponsored or endorsed the art work/project. Therefore I am very sorry to let you know that we are not in a position to support the exhibition Andy Warhol | Ai Weiwei by supplying the bulk order." Ai Weiwei Studio was informed by NGV about Lego's rejection of the bulk order. As a commercial entity, Lego produces and sells toys, movies and amusement parks attracting children across the globe. As a powerful corporation, Lego is an influential cultural and political actor in the globalized economy with questionable values. Lego's refusal to sell its product to the artist is an act of censorship and discrimination.

Uma foto publicada por Ai Weiwei (@aiww) em

 

Vários seguidores expressaram on-line sua disposição a dar suas peças de Lego.

Ai também lembrou que a companhia britânica Merlin Entertainments, dona e gestora dos parques temáticos Legoland, havia anunciado seu desejo de construir uma sede em Xangai na semana passada, por ocasião da visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, ao Reino Unido.

A casa matriz da Lego, Kirkbi, possui uma participação de 30% da Merlin.

A companhia dinamarquesa declarou ao jornal britânico The Guardian: "Ao ser uma empresa dedicada a fornecer grandes experiências lúdicas e criativas às crianças, rejeitamos - globalmente - nos comprometermos ou apoiar de maneira ativa a utilização de peças de Lego em projetos ou contextos políticos. Este princípio não é novo".

A AFP não conseguiu contactar o escritório do Lego na China.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.