Agoria joga techno na pista de corrida

Francês traz ao País repertório de trilha sonora de filme sobre competição de automóveis e tráfico, do belga Van Hoofstadt

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

O francês Sébastien Devaud, conhecido pelo codinome Agoria, se tornou um dos mais respeitados nomes do techno mundial a partir do final dos anos 90, quando chegou a dividir sets com lendas da música eletrônica, como Jeff Mills e o DJ Hell. Nascido em Lyon, filho de uma mãe cantora de ópera e pai arquiteto, ele rapidamente se tornou um fenômeno das pistas com um single irresistível, La Onzième Marche (do disco Blossom). Chegou ao Brasil pela primeira vez em 2004 (mesmo ano em que dividiu, com Laurent Garnier, o prêmio de melhor DJ da França), e tocou no D-Edge paulistano e no festival de música eletrônica de Brasília. Adorou São Paulo e a cena da música eletrônica local - ele enviou uma de suas faixas, Baboul Hair Cuttin, para ser remixada por um local hero, Gui Boratto, de quem se tornou fã. E agora volta como grande estrela da eletrônica para o festival Skol Beats, que ocorre no Anhembi no próximo sábado (das 18 horas até as 8 horas do dia 18). O ingresso custa R$ 100.Agoria sempre está acompanhado de gente de peso - tem parcerias com cantores como Tricky, Ann Saunderson e Sylvie Marks, entre outros. "Adoro trabalhar com pessoas diferentes, de diferentes campos artísticos. A música brasileira, por exemplo, me seduz muito, quero fazer grandes parcerias por aí", disse Sébastien, falando por telefone ao Estado.Ele conta que chega a bordo de um novíssimo álbum, Go Fast - Au Coeur du Trafic (pelo selo Different), trilha sonora de um filme policial do cineasta belga Olivier Van Hoofstadt, cujo lançamento está previsto para o dia 1º de outubro. Trata do tráfico de drogas durante competição esportiva (ele também colabora com o diretor Luc Besson). O título da obra e do filme vem de uma famosa corrida de carros, mas também da fama que Agoria carrega de ser um dos mais rápidos nos turntables - toca com três à sua frente, em geral.Segundo diz Agoria, ele deu uma olhada na programação do Skol Beats, que considerou "bem variada", e contou que está adorando tocar na mesma jornada de Digitalism e Justice. "É uma das minhas músicas preferidas. Gosto do Digitalism, mas gosto muito do Justice. Eles fazem uma mistura de rock com techno que me agrada muito. De todos, é o melhor. Cada vez que ouço, é diferente, tem essa capacidade mutável."Ele analisou o bafafá em torno do violento videoclipe da música Stress, do Justice (proibido na televisão francesa), e disse que é preciso separar a controvérsia da parte artística. "A música é fantástica. E o filme fala de um problema real, o Justice não inventou o problema."Agoria até hoje vive em Lyon, o que parece um contra-senso, já que sua música é requisitada principalmente nas capitais - Londres, Nova York, Paris, Berlim, São Paulo. "Minha música se desenvolveu no mundo musical de Lyon, a partir da cena local. Há muita coisa boa lá. Mas acho que a principal vantagem de viver em Lyon é que me sobra tempo para fazer música, para pesquisar. Se eu vivesse em Paris ou Londres, ia sair toda noite e nunca teria tempo para a música", ele diz. Em Lyon, ele é o mestre-de-cerimônias do festival Les Nuits Sonores.Apesar das suas constantes apresentações como DJ e a intensa produção própria em estúdio, Agoria de fato encontra tempo, porque sempre se dedica a remixes de outros, como o Inner City (Kevin Sauderson e Paris Grey), Señor Coconut and His Orchestra, Layo & Bushwacka, Franz Ferdinand, Paul Kalkbrenner, entre outros.Combinando fundamentos do techno com minimal, ambient, trance, new age, hip-hop e muitos breaks, ele tornou imprescindíveis nas pistas de dança sucessos como The Green Armchair (PIAS France, 2006), de onde saíram hits como Les Violons Livres e Europa. O disco foi extremamente badalado, e não sem razão: além das faixas que ganharam as pistas, como Les Beaux Jours, o álbum vinha recheado de grandes colaborações, como Peter Murphy (do grupo Bauhaus), Princess Superstar e Neneh Cherry. Contam que ele já disputou uma jornada de 7 horas consecutivas ?djying?, num desafio promovido pelo seu chapa Laurent Garnier. Ao lado de Vitalic e The Hacker, Agoria é hoje um dos nomes fundamentais da cena francesa.

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