A voz dos não arquitetos na Bienal de Veneza

Na 11.ª mostra, que começa domingo na Itália, o Brasil participa apresentando exposição de depoimentos

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

A Fundação Bienal de São Paulo inaugura hoje para convidados a exposição que organizou para apresentar na 11ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza, que será aberta para o público no domingo e fica em cartaz até 23 de novembro nos espaços dos Giardini e Arsenale na cidade italiana. No evento, que desta vez tem como tema Out There: Architecture Beyond Building (Lá Fora: Arquitetura Além da Construção), como curador-geral o norte-americano Aaron Betsky e que premiou com o Leão de Ouro o canadense Frank O. Gehry por sua trajetória, o Pavilhão Brasileiro não vai exibir projetos arquitetônicos, mas depoimentos de anônimos e personalidades dentro do projeto Não Arquitetos - Da Urbanidade para a Intimidade, com curadoria do arquiteto Roberto Loeb. "As obras dos grandes arquitetos brasileiros já têm muita exposição na mídia. Então, esta se tornou uma oportunidade de levar uma visão diferente para Veneza, mais cotidiana e de ruptura. As exposições de arquitetura são muito específicas, são trabalhos de arquitetos para arquitetos", diz Loeb.Durante cerca de dois meses e meio foram recolhidos 86 depoimentos de pessoas mais diversas possíveis - entre as celebridades, a atriz Fernanda Torres, o escritor Milton Hatoum, o diretor Felipe Hirsch, o músico Danilo Caymmi. A pergunta feita aos entrevistados deixou-os totalmente livres a rememorar e dar também sugestões: "Qual na sua lembrança o espaço mais significante que você sempre recorre em sua memória?" Do total de depoimentos, 30 ficarão expostos nas paredes do Pavilhão Brasileiro - os outros estarão em mesas e no catálogo. A mostra brasileira se completa com fotografia feita por Cristiano Mascaro de um posto de gasolina à noite e outra de Rochelle Costi que retrata "a intimidade" do espaço de um sem-teto que criou sua casa debaixo de um viaduto. "O projeto foi feito com poucos recursos, que não superam R$ 60 mil. O Manoel Pires da Costa (presidente da Fundação Bienal de São Paulo) disse que esta é a Bienal de Veneza mais econômica que fez", diz Loeb.

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