A volta do ''Sr. Bonzinho''

Em Roma, Tom Hanks fala de seu novo filme, Anjos e Demônios, que faz sua estreia mundial hoje na cidade italiana e dia 15 chega ao Brasil

Entrevista com

Luiz Carlos Merten, ROMA, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

Tom Hanks levanta-se quando o repórter do Estado entra na suíte do Hotel Saint Regis para a entrevista individual. Ele é ainda mais alto do que parece na tela. O repórter recua. "What?" (O quê), ele pergunta. Você é intimidador, brinco. Ele diz: "Not at all" (De maneira nenhuma). O clima está criado para falar sobre Anjos e Demônios. O filme adaptado do best seller de Dan Brown terá sua première mundial hoje à noite, em Roma. A capital italiana foi escolhida por ser o cenário quase único do filme. Com exceção de uma cena supostamente passada em Harvard e outra num laboratório em Genebra, Anjos e Demônios passa-se num perímetro de quatro igrejas que traçam uma cruz ao redor do Vaticano. O papa morreu, o trono de São Pedro está vacante, os cardeais iniciaram o conclave. E é neste quadro que Robert Langdon é convocado para ajudar a resolver um enigma. Os "illuminatti" (quem são eles?) sequestraram quatro cardeais - os favoritos -, que ameaçam matar, um a cada hora, culminando com a explosão de um recipiente de antimatéria que vai dissolver o Vaticano num feixe de luz.Embora escrito antes de O Código, Anjos e Demônios passa-se depois. Não apenas o astro, mas o diretor, Ron Howard, é o mesmo do outro filme. Anjos e Demônios pode ser contestado, com certeza, mas como realização - como ato de contar uma história - é bem melhor do que o filme anterior. É o que você poderá confirmar dia 15, quando Anjos e Demônios desembarca nos cinemas brasileiros.O primeiro filme foi massacrado pelos críticos, mas foi um megassucesso de público. Esse é melhor como cinema, mas a receptividade talvez não seja muito melhor. O que você pensa disso?É normal. O livro de Dan Brown é um dos maiores, senão o maior sucesso editorial da história. E ele trata de assuntos polêmicos. Lá, era a descendência de Cristo, aqui a relação entre ciência e religião. Ron (o diretor Howard) e os roteiristas tomaram mais liberdades em relação a esse segundo filme, inclusive fazendo com que a história se passe depois. Mas a própria história de Anjos e Demônios é narrada de forma mais cinematográfica no título. Essa mistura de realidade e fantasia atrai as pessoas. É um filme que eu gostaria de ver.As pessoas dizem que, como ator, você consegue transformar o ato de representar numa coisa fácil, ou pelo menos faz com que pareça fácil...Quem diz isso? Não conheço outra maneira de representar e, devo dizer-lhe, não é nada fácil. É a primeira vez que repito um personagem e nem isso facilitou as coisas. Cada filme encerra sempre o seu desafio e acho que, no fundo, é o que nos motiva. Cada vez é preciso encontrar a chave para contar a história. É o que faz de cada filme algo novo e excitante. Se fosse fácil, ou se fosse mero exercício de repetição, nem Ron nem eu estaríamos nele.

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