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A volta da feira de arte física com a ArtRio

Em sua décima edição, que começa hoje, o evento optou por um formato híbrido, que envolve o presencial e o virtual

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2020 | 17h07

A pandemia fez com que todas as feiras de arte, não só no Brasil, adotassem o formato virtual desde o começo da quarentena. Durante todo esse tempo as galerias estiveram fechadas, mas voltaram a encontrar seu público hoje com a abertura da décima edição da ArtRio, feira que reúne até domingo, na Marina da Glória, 50 galerias, mantendo ainda plataformas digitais. A feira opera desde 2018 com vendas online, mas neste ano foi adotado um procedimento especial para a edição virtual, com uma plataforma que traz tudo sobre as obras e os artistas, além de colocar à disposição do usuário um chat para contato direto com os galeristas e canais para comunicação por vídeo (a agenda virtual se estende até o dia 25).

Brenda Valansi, a diretora da ArtRio, fez em julho uma pesquisa junto aos galeristas sobre a viabilidade de realizar a feira presencial. A resposta foi positiva, pois, apesar de o mercado ter reagido relativamente bem a um período tão difícil como o da pandemia, fortalecendo as vendas online, a comercialização de obras de arte melhora com o contato físico com os trabalhos. As pequenas galerias, que, de modo geral, trabalham com artistas novos, foram as que mais sofreram com o fechamento – prejudicando, por consequência, os jovens ainda pouco conhecidos.

“A edição digital vai possibilitar que esse ano a feira quebre barreiras e chegue a um público mais amplo, em qualquer lugar do mundo”. Essa expectativa da diretora Brenda Valansi é dividida com galeristas que apostam na internacionalização da feira e do mercado. A galeria Fortes D’Aloia Gabriel, por exemplo, mostra no Rio uma nova série da pintora Janaína Tschäpe, nascida na Alemanha e criada em São Paulo, que abre no dia 21 de outubro uma exposição individual no Musée de l’Orangerie, em Paris, onde vai apresentar uma série de desenhos inéditos que remetem aos cadernos de rascunho de Claude Monet sobre suas impressões do lago de Giverny.

Não se pode esquecer que diversas galerias brasileiras abriram filiais ou escritórios nas principais capitais da Europa e nos EUA em busca de colecionadores de alto poder aquisitivo. Uma delas é a galeria Nara Roesler, que tem filial em Nova York e representa importantes artistas estrangeiros, além de brasileiros consagrados.

Outras galerias de São Paulo participam desta edição da ArRio, apostando tanto nos clássicos modernos brasileiros – caso da Dan Galeria, que levou para o Rio uma tela rara de Di Cavalcanti, Mulher e Cão – como nos contemporâneos – a galeria Almeida & Dale, que exibe obras da pintora Beatriz Milhazes. Algumas galerias optaram por mostrar artistas internacionais, como a italiana Continua, que mostra Mirror, de Anish Kapoor, e a Ipanema, que colocou à venda uma Fisiocromia (a de número 1929) do venezuelano Cruz-Diez.  E a galeria Paulo Kuczynski colocou à venda uma obra do minimalista norte-americano Dan Flavin (1933-1996), o primeiro a trabalhar com lâmpadas fluorescentes e que nunca teve exposições no País. 

E, continuando no circuito internacional, a poderosa colecionadora de arte latino-americana Ella Cisneros, nascida em Cuba, marca presença na ArtRio no dia 20 com uma visita virtual à coleção que mantém em Miami – que tem mais de três mil itens, entre eles obras de artistas brasileiros como Hélio Oiticica. 

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