A Vida dos Outros retrata a paranóia da Alemanha Oriental

Raras vezes a escolha do Oscar de melhor filme estrangeiro foi pouco contestável como o de 2007, que premiou o alemão A Vida dos Outros, destaque do Cinemax, que o exibe às 22 horas. O tema é intrigante: na então Alemanha Oriental, praticamente todas as pessoas importantes são espionadas pelo governo, obcecado em descobrir espiões. Entre os suspeitos, um dramaturgo e sua namorada atriz são espiados por um funcionário, a mando do ministro da Cultura que, interessado na atriz, desconfia de sua fidelidade ideológica.O espião, no entanto, desenvolve uma secreta afeição pelo casal à medida que conhece melhor seus passos e tenta protegê-lo quando percebe o perigo que a atriz corre nas mãos do governo. O final, no entanto, não é nada animador.Dirigido por Florian Henckel, o filme tem o grande mérito de não reforçar uma tendência política, apesar do tema forte e polêmico - a ação inescrupulosa do governo é bem retratada, mas a existência de um espião que contraria a tendência paranoica é a grande virtude do longa. Especialmente pela interpretação de Ulrich Mühe, que morreu de câncer pouco antes do lançamento do filme: ele está nada menos que excepcional.

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