A vez do novíssimo cinema italiano

Durante uma semana, São Paulo recebe filmes, atores, diretores e produtores que vêm mostrar a cara da Itália contemporânea

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Muitos torcem o nariz para a atual produção cinematográfica italiana e dizem que uma grave crise criativa e produtiva se abateu sobre o país que já foi, ao lado da França, o maior concorrente da hegemônica produção americana. Mas há os que cumprem a tarefa de ficar de olho no que os novos cineastas italianos produzem. E chegam à conclusão: o cinema italiano resiste.É de olho nesta produção e na reconquista do público perdido há algumas décadas que começa hoje a 3ª Semana do Cinema Contemporâneo Italiano de São Paulo. Promovida pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria, a mostra se estende até o dia 4 e vai revelar a mais fresca safra do filmes produzidos no Bel Paese. A lista é eclética e atual. Traz títulos que agradam tanto a um público mais atento quanto a espectador que há tempos não vê divas como Monica Bellucci na telona. A tradicional receita do filme comercial de qualidade dá a tônica da seleção coordenada por Andrea Paris, do FilmItalia, responsável, ao lado da Câmara, pela curadoria da mostra. Vale lembrar que a FilmItalia é o uma sociedade do grupo Cinecittà Holding que promove o cinema italiano no exterior. ''''É fato que a produção italiana passou por um período negro nos anos 80 e 90. Há um cenário complexo que produziu a crise'''', comenta Paris. ''''Crise econômica, crise criativa, forte presença do cinema americano dominando as salas e o imaginário do espectador. Mas os jovens cineastas estão reagindo e, pouco a pouco, estamos retomando o padrão de qualidade, do cinema de autor, com a nossa cara'''', completa o curador, que vê no Brasil um forte mercado.Os títulos serão exibidos no Cinemark Shopping Iguatemi, parceiro da Semana desde a primeira edição. N (Eu e Napoleão), de Paolo Virzi, traz Mônica Bellucci em um drama de época sobre a presença de Napoleão na Ilha de Elba, no século 19. Último Minuto Marrocos conta a historia de um adolescente (Valerio Mastrandrea) que tem uma mãe superprotetora e um pai indiferente. Vai buscar em uma cultura que não domina, a marroquina, a liberdade e a passagem para a vida adulta que não consegue na realidade estagnada do país em que vive. O que Estou Fazendo Aqui, de Francesco Amato, vai pelo mesmo caminho da busca do jovem por novos parâmetros e liberdade. E retrata a aventura do jovem Alessio (Paolo Sassanelli), que decide viajar de moto pela Europa com os amigos no fim do segundo grau. Mais adulto e também na linha da crônica de costumes, surge Todas as Mulheres da Minha Vida. Dirigido por Simona Izzo, o filme mostra a virada de mesa de um talentoso cozinheiro, que decide rever todas as mulheres que já amou na vida. Completam a lista Em Minha Memória e Liscio, tragicômica história de Raul, um garoto cuja mãe (a bela Laura Morante) é dançarina de liscio (uma dança tradicional italiana) e sempre se envolve com os tipos errados. Raul tem apenas 12 anos, mas é sábio demais para a idade e quer encontrar um bom homem para a mãe, seu professor de música, Antonio Catania. O ator, aliás, vem a São Paulo para participar de conversas com estudantes da Faap (parceira da Semana de Cinema) e estará hoje presente no coquetel de abertura da mostra.Quando o assunto é diversidade, vale lembrar que a via entre cinema italiano e brasileira é de mão dupla. De olho no circuito de salas italiano, que sofreu nas últimas décadas a invasão dos filmes norte-americanos, o Brasil também quer cavar seu espaço no país. A Câmara assinou um acordo com a Embaixada do Brasil em Roma para promover o cinema brasileiro na Itália e aumentar a participação do cinema brasileiro em festivais italianos. ''''Ele prevê ações de colaboração bilateral entre os dois países. Vamos estar sempre em contato. Sempre conectando agentes brasileiros com os italianos'''', conta Francesco Paternò, secretário geral da Câmara de Comércio.A primeira investida toma corpo em outubro, quando uma comitiva brasileira viaja a Roma, durante o Festival Internacional de Cinema. Produtores, diretores, atores e afins vão conhecer o sistema de produção italiano e visitar os estúdios da Cinecittà. Para completar, no dia 26, um coquetel na Embaixada Brasileira sela a parceria entre os dois países. ''''Cultura é uma área mais que estratégica. E cinema é mais que perfeito para ampliar ainda mais esta nossa ação'''', declara o embaixador do Brasil em Roma, Adhemar Bahadian, que já fechou acordo com a organização do RomaFilmFest. Em 2008, o Brasil será o país homenageado.

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