A verdade transformada

O Festival de Documentários, em sua 14.ª edição, mudou. Saiba por que e conheça o grande convidado deste ano, o israelense Avi Mograbi

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2009 | 00h00

Na semana passada, jornais israelenses criticaram duramente a ofensiva do Exército do país em Gaza, acusando os militares de atingir de forma deliberada a população civil de palestinos. O ministro da Defesa reagiu prontamente, dizendo que o Exército israelense é o mais ético do mundo. Não é o que pensa o mais importante documentarista de Israel. Numa entrevista por telefone, também na semana passada, Avi Mograbi acusa o Exército de Israel, e do mundo todo, de fazer lavagem cerebral nos soldados, para transformá-los em eficientes máquinas de matar. Mais do que isso, ele acusa Israel de praticar um terrorismo de Estado. É esse diretor - polêmico, corajoso - o mais importante convidado internacional do 14º É Tudo Verdade, que começa hoje para convidados (e amanhã para o público). O filme escolhido para a abertura em São Paulo é Cartas ao Presidente, do checo Petr Lom, que coloca em discussão o populismo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Amanhã, na abertura no Rio, os cariocas verão Domingos, um atraente perfil do cineasta e dramaturgo Domingos de Oliveira, traçado pela atriz - e agora diretora - Maria Ribeiro. O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade passa por importante transformação. O festival se comprime, um pouco pela crise, um pouco para atender a um desejo de mudança de seu criador, Amir Labaki . É Tudo Verdade passa a ocorrer duas vezes por ano. Esta primeira fase abriga as mostras competitivas nacional e internacional, a homenagem a Avi Mograbi - que traz ao Brasil seu novo documentário, Z32 -, um festival de pré-estreias (Premières Cinemark) no Shopping Eldorado, incluindo o vencedor do Oscar deste ano - O Equilibrista, de James Marsh e Simon Chinn - e a 9.ª Conferência Internacional do Documentário, que discute justamente o documentário engajado. Todas as demais seções informativas sobre o estado do documentário no mundo ficam transferidas para julho. Não é só o festival que muda. O próprio documentário encontra-se numa fase de transição e busca novos caminhos após a fase marcadamente política que sucedeu ao 11 de Setembro e ao combate ao terror pela administração George W. Bush. Quais serão os rumos do documentário? As respostas poderão vir naturalmente até dia 5, em São Paulo e no Rio. Depois, o 14º É Tudo Verdade segue para Brasília.

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