A turma dos clássicos em noite de gala

Prêmio Carlos Gomes voltou após dois anos, em bela festa na Sala São Paulo

Lauro Machado Coelho, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

Interrompida desde 2006, a distribuição do Prêmio Carlos Gomes foi retomada segunda-feira, na Sala São Paulo - desta vez sob responsabilidade da Algol Editora. Marcando o retorno auspicioso do único prêmio brasileiro dedicado à música erudita, participou da cerimônia de entrega a Orquestra Municipal de Campinas, sob a regência de sua atual titular, Lígia Amadio.O histórico do prêmio e a análise crítica da importância das distinções que ele conferiu ao longo dos anos estão em Prêmio Carlos Gomes: Uma Retrospectiva, do jornalista João Luiz Sampaio, do Estado. Nesse volume, cujo lançamento precedeu a cerimônia, Sampaio faz detida reflexão sobre o significado, para a vida musical brasileira, de cada um dos contemplados, e das flutuações e evolução sofridas pelo prêmio com o passar do tempo.Demonstrando claramente o progresso por que vem passando nas mãos de sua atual titular, a orquestra de Campinas - gentilmente cedida pela Secretaria de Cultura dessa cidade - entremeou a chamada ao palco dos escolhidos com trechos das óperas do patrono do prêmio, nascido em Campinas. Foram números orquestrais - as aberturas do Guarani e da Fosca, a Alvorada do Escravo - e vocais, interpretados pelo tenor Marcello Vannucci ("Intendeti con Dio", da Fosca); a soprano Rosana Lamosa ("Gentile di cuore", do Guarani); e a indestrutível Niza de Castro Tank, que encerrou a apresentação cantando, em companhia de Vannucci, o dueto "Sento una forza indomita", do Guarani.Entre as apresentações musicais, os troféus referentes aos destaques de 2008 foram sendo anunciados por Heloísa Fischer, editora da publicação carioca Viva Música!, e Alfredo Alves, locutor da Rádio Cultura. Na entrega dos prêmios, foi possível rever Almeida Prado, Gilberto Tinetti, alguns dos contemplados dos anos anteriores. A melhor orquestra do ano foi a Sinfônica do Estado de São Paulo. Mas o título de melhor regente ficou para Fabio Mechetti, por seu trabalho à frente da Filarmônica de Minas Gerais. O Quinteto Villa-Lobos foi escolhido como o melhor grupo de câmara, pelas suas turnês, no ano passado, pelo interior do Estado do Rio. E Luiz Fernando Malheiro é o melhor regente de ópera, por seu trabalho no Festival Amazonas.André Heller-Lopes foi o melhor diretor de cena, pelas suas montagens de Ariadne auf Naxos e Sansão e Dalila, em São Paulo. O Castelo do Duque Barba Azul, de Béla Bartók, encenado originalmente em Belo Horizonte e, depois, trazido para São Paulo, foi o melhor espetáculo de ópera. Quanto aos prêmios técnicos, eles ficaram para Daniela Thomas (cenário), Fábio Namatame (figurinos) e Caetano Vilela (iluminação).Sua integral da música para piano de Villa-Lobos e o CD de sonatas de Scarlatti valeram a Sonia Rubinsky o prêmio de melhor solista instrumental. O Compositor, da Ariadne auf Naxos, Dalila, na ópera de Saint-Saëns, e a sua participação no Canto da Terra, de Mahler, em Brasília, deram o troféu de melhor cantora a Denise de Freitas. O melhor cantor foi o único empate: os barítonos Leonardo Neiva (Enéas em Dido e Enéas, o Sumo-Sacerdote do Sansão e Dalila e Kullervo, de Sibelius, em Brasília) e Rodrigo Esteves (Marcello da Bohème no Rio, Carmina Burana com a Osesp, O Canto da Terra com a Orquestra de São Bernardo, e o CD de operetas Viena) dividiram o prêmio.Finalmente, o Troféu Carlos Gomes, que se refere não ao desempenho no ano passado, mas ao conjunto da carreira, foi concedido ao maestro John Neschling, pelo trabalho desempenhado durante os anos em que esteve à frente da Orquestra Estadual, a Osesp.E a cerimônia terminou de maneira descontraidamente simpática, um fecho de ouro para o retorno à atividade de prêmio tão importante. Reunidos no palco, tendo a grande gomesiana Niza de Castro Tank para puxar o cordão, todos os premiados cantaram a modinha Quem Sabe, de Carlos Gomes - a que muita gente na plateia aderiu, numa festa de confraternização.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.