A representação da História, por meio da evolução da música

Poucos diretores revelam talento para conduzir histórias que se passam em ambiente fechado. Ettore Scola é um deles e seu exemplo máximo é O Baile, que o Telecine Cult exibe a partir das 15h40.

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Trata-se de um passeio por 40 anos de história francesa por meio de canções e figurinos a partir do encontro de um grupo de pessoas que se reúnem para dançar. Não há diálogos, a trama é narrada apenas a partir da expressão corporal dos atores, além de uma seleção de músicas e uma infinidade de figurinos.

O filme foi rodado em 1983 e se inspirou na peça O Baile, escrita pelo francês Jean-Claude Penchenat, que já combinava dança, teatro e aula de história - há alguns anos, o diretor José Possi Neto dirigiu uma montagem que apresentava um retrato cultural e político do Brasil entre os anos 1950 e 80.

Em sua versão, Scola revela-se um cineasta fiel a seus princípios humanistas, muito claros e nada ambíguos. Talvez o último grande nome do cinema italiano que marcou o século passado, ele sempre soube como utilizar a arte para discutir as polarizações ideológicas do mundo em seus filmes. E, aqui, as questões sociais são tão importantes como as políticas.

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