A pintura redescoberta de Ianelli

Mostra realça o tom lírico e lúdico que povoa obra do artista, morto em 2001

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2008 | 00h00

Delicada, mas com relações cromáticas essenciais, como diz Flávio Cohn, um dos diretores da Dan Galeria, a obra de Thomaz Ianelli (1932-2001) ficou de certa forma relegada do mercado de arte por uma série de motivos. Entre eles, dada a própria natureza tímida e retraída do artista, que preferia dar aulas e ficar preparando suas criações longe de holofotes a ter de fazer concessões. Mas, ultimamente, uma série de ações vem contribuindo para que a sua produção ganhe a devida importância no cenário brasileiro.No ano passado, foi apresentada na Pinacoteca do Estado a retrospectiva Thomaz Ianelli - Flutuações da Cor, com curadoria de Angélica de Moraes, e está em andamento o processo de catalogação da sua produção. E agora, na Dan Galeria, acaba de ser inaugurada a mostra Thomaz Ianelli - Pintura Absoluta, que reúne seleção de cerca de 30 telas e aquarelas e cinco esculturas (assemblages) feitas por ele entre o fim dos anos 1970 e o ano 2000.A exposição, com curadoria de Cohn e Olívio Tavares de Araújo, é realizada em parceria com o Instituto Cultural Thomaz Ianelli - presidido por sua viúva, Célia Franco de Godoy Ianelli. A Dan Galeria tornou-se a representante do instituto, o que significa não apenas ser a catalisadora da comercialização das obras de Thomaz - irmão mais novo do pintor Arcangelo Ianelli - como também ser articuladora da atual mostra.No conjunto de criações exibidas agora, é um prazer ver o tom lírico e lúdico que povoa a trajetória do grande colorista. ''Cada obra pede um tempo para ser observada'', diz Cohn, ressaltando que na relação entre figura e fundo o artista foi criando jogos de equilíbrio e desequilíbrio, de ''dança e música'' no campo da tela e do papel (também segmento muito significativo em sua produção). ''A obra de Thomaz, sem contar com nenhuma facilitação de produto consumível, é sutil, requintada e exigente, impondo um ritmo mais lento, fazendo-se progressivamente descobrir, não espetacular, não barulhenta, tão terra firme num tempo de descartáveis - e tanto mais bela por tudo isso'', como escreve Olívio Tavares de Araújo no texto presente no catálogo da exposição.É um ponto muito positivo dessa mostra reunir um número considerável de aquarelas, nas quais podemos fazer a relação visível entre a delicadeza das composições nas pinturas e das obras sobre papel. ''O Thomaz preparava as telas e as tintas para conseguir fazer as transparências presentes em suas pinturas. Ele ia diluindo o óleo ao máximo para chegar a um aspecto aquoso, de fluidez, solubilidade'', acrescenta Flávio Cohn.Serviço Thomaz Ianelli - Pintura Absoluta. Dan Galeria. Rua Estados Unidos, 1.638, tel. 3083-4600. 2.ª a 6.ª, 10h às 18 h (sáb. até 13 h). Grátis. Até 2/8

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