A Pessoa É para o Que Nasce e o autor como personagem

Há um momento muito interessante em A Pessoa É para o Que Nasce, documentário de Roberto Berliner que o Canal Brasil apresenta às 19h30. O diretor volta sua câmera para três irmãs cegas de Campina Grande, na Paraíba, que ganham a vida pedindo esmola e tocando ganzá. Ao escolhê-las como personagens, o diretor começou fazendo um curta, como ensaio preliminar, e só depois partiu para o longa que passa na TV paga.A cena citada no começo do texto refere-se a um momento muito particular. O próprio Berliner, ao descobrir que uma das irmãs está se apaixonando por ele, reúne as três e abre seu coração. Diz que possui afeto por todas, mas é casado. Nada ofensivo, tudo filmado com delicadeza.Esta projeção do documentarista no material filmado não é uma novidade, na época mais recente. João Moreira Salles também é personagem ou é ele, mais do que o mordomo, o grande personagem de Santiago. E não se deve esquecer de Evaldo Mocarzel, em Do Luto à Luta, quando o garoto lhe pergunta por que quis fazer um documentário sobre Síndrome de Down. Evaldo fica sem jeito, desconversa, mas no plano seguinte vem a resposta - sua filha é portadora da síndrome. O autor, de alguma forma, vira personagem de si mesmo.

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