A performance em plena discussão

Galeria Vermelho realiza 4.ª edição do evento Verbo, que neste ano se expande incluindo programação, mostra e seminários

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

A performance, como afirmou há pouco tempo ao Estado a artista sérvia Marina Abramovic em sua recente passagem pelo Brasil, ''nunca será do ''mainstream'' das artes'' e, dessa maneira, por ser sempre alternativa, terá uma autoridade e ''um sentimento de vida que nunca poderá ser emoldurado em museu''. Com o objetivo de promover espaço para essa arte alternativa, mas que ao mesmo tempo quer, sim, também se firmar no mercado, a Galeria Vermelho criou em 2005 a Agência Verbo e ainda realiza em suas dependências o evento Verbo 08, no qual, durante uma semana, ocorre uma programação inteira dedicada à performance. Hoje à noite, a partir das 20 horas, será inaugurada a quarta edição do evento, que neste ano se expande com curso no Centro Universitário Maria Antonia e seminário no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e uma exposição com fotografias, vídeos e instalações relacionados ao campo da ação e do corpo e da inserção da performance no mercado (que fica depois em cartaz até agosto).Ao todo, foram enviados 280 projetos de artistas interessados em participar desta edição do evento, como conta Marcos Gallon, da equipe da galeria, que realizou a seleção dos participantes com Eduardo Brandão (sócio da Vermelho) e Francisco Dãvina. Dos 51 projetos escolhidos, 26 são performances, que ocorrerão durante a semana, de terça a sexta-feira, das 20 às 22h30 (encerramento no sábado, a partir das 11 h) nos espaços da galeria e 25 são trabalhos em outros suportes expostos na mostra (criações de Marcelo Cidade, Ana Maria Tavares, André Komatsu, Rafael Assef, Superflex e Nicolás Robbio, entre outros, algumas delas que pedem a participação do espectador). Há a presença de obras de artistas estrangeiros, como da dupla suíça Cris Faria e Lukas Mettler, do colombiano Carlos Monroy e dos italianos Massimo Grimaldi e Sabina Gras. Já os outros participantes são, na maioria, integrantes do time da Galeria Vermelho, que banca a Verbo (foram usados cerca de R$ 20 mil) com o apoio de parcerias com instituições.A característica de promover um panorama da performance como era no início a Verbo, diz Gallon, não é mais necessária, já que o gênero da performance vai ganhando um espaço maior e diferente no cenário - não são apenas mais as questões da body art, por exemplo, que a envolvem. ''O jovem artista não está atado a um suporte de criação, há uma versatilidade e uma liberdade'', afirma Gallon. Apesar da crescente procura e inserção do gênero, a Agência Verbo ainda não se firmou tal era sua proposta inicial. ''Não existe ainda um mercado, nem uma cartela de artistas'', ainda diz o curador. Como as idéias todas em relação ao terreno performático estão em plena ebulição, os seminários paralelos serão de valia para as discussões. No CCSP (entre hoje e sexta), o simpósio Verbo Conjugado vai tratar de questões novas em torno do tema, como a performance e suas relações com as artes cênicas e os temas da reencenação e documentação. Já no Maria Antonia, no curso Performance em Expansão vai tratar da história do gênero.Serviço Verbo. Galeria Vermelho. Rua Minas Gerais, 350, tel. 3257-2033. 3.ª a 6.ª, 10 h às 19 h; sáb., 11 h às 17 h. Grátis. Até 9/8

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