A Paris sem pressa de Fernando Rabelo

No Rio, mostra reúne 40 imagens muito pessoais da cidade

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

Deslumbrante, convidativa e cheia de surpresas a cada esquina, Paris talvez seja a cidade mais fotografada do mundo. Mas mesmo quem já se deslumbrou com as imagens clássicas, em preto-e-branco, de Henri Cartier-Bresson, André Kertész e Robert Doisneau, não deixa de se encantar com novos ângulos, cores e facetas da capital francesa, registrados por profissionais ou mesmo por viajantes embevecidos.O fotógrafo mineiro Fernando Rabelo, que viveu por lá de 1973 a 1979 (era adolescente e foi levado pelos pais, perseguidos pela ditadura militar), descobriu o amor pelo ofício em meio às suas pontes, edifícios, igrejas e avenidas. Quase 30 anos depois, em 2005, já tendo passado pelas maiores redações de jornal do País (foi editor de Fotografia do Jornal do Brasil), ele voltou a Paris. O resultado desse reencontro está em Imagens de Um Flâneur Brasileiro em Paris, exposição em cartaz até o dia 27 no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, no centro do Rio.A mulher envolta numa cortina numa loja de Montmartre, as estátuas pichadas no cemitério Père Lachaise, o homem solitário caminhando à beira do Sena, o porco assado no espeto no Quartier Latin, o bistrô em Marais, a Ile de la Cité - tudo isso compõe a nova Paris de Rabelo, que, quando jovenzinho, fazia seus cliques despretensiosamente.''''A cidade mudou muito. É preciso ter disposição de flâneur para capturar essas imagens'''', ele explica, lançando mão da figura mítica que caminha pelas ruas aparentemente desatento, sem destino, sem pressa. Pressa é algo que nada teve a ver com a experiência do fotógrafo em Paris. São 40 imagens produzidas entre setembro de 2005 e junho de 2006, com todo o tempo do mundo para esperar a melhor luz e o instante mágico. ''''Eu não tinha compromisso. Se precisasse, voltava no dia seguinte para fazer a foto'''', conta.Nesta incursão, Rabelo retornou a lugares em que havia estado quando garoto. Munido de sua câmera (analógica) e tripé, flanou dia e noite. Captou a mulher lendo preguiçosamente nos Jardins de Luxemburgo, o Trocadero, a fachada da nova Ópera de Paris, o Palais Royal. E ainda algumas manifestações violentas de estudantes. Prédios, parques, pontes - à luz do sol ou sob bela iluminação artística, um pouco do encanto de Paris está na mostra, abrigada no majestoso prédio do Centro Cultural Justiça Federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.