A Noviça Rebelde une conto de fadas com jogo político

Musical clássico se passa na Áustria, durante a 2.ª Guerra

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

21 Março 2009 | 00h00

Conhecido pela marcante atuação em musicais clássicos como O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera, o ator e intérprete Saulo Vasconcelos surpreende em sua participação em A Noviça Rebelde, em cartaz no Teatro Alfa - se naqueles o timbre vigoroso de sua voz era ouvido logo nos primeiros minutos, agora, no papel do Capitão Georg von Trapp, ele demora até emitir a primeira nota musical. "Confesso que fico ansioso, mas, quando chega o momento da canção, a emoção é tão forte que influencia a interpretação." A Noviça Rebelde é um dos espetáculos mais populares de todos os tempos. Imortalizada pelo filme estrelado por Julie Andrews, a história real da noviça que cuida dos sete filhos de um barão, na Áustria, e é obrigada a fugir com eles dos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, é contada agora pelos diretores Claudio Botelho e Charles Möeller. "O espetáculo traz algumas das canções mais encantadoras e populares já compostas para um musical, além de ressaltar valores como superação, idealismo e solidariedade", comenta Möeller. "Embora a história tenha um tom de fábula, fala também de política, guerra, religião e aristocracia", completa Botelho. Inspirada em um fato real, a saga dos Von Trapp começou na Áustria, em 1920, quando a noviça Maria (Kiara Sasso) foi trabalhar como governanta de sete crianças na casa do viúvo barão George. Ambos se apaixonaram, casaram-se e tiveram mais três filhos. Em 1938, quando Hitler anexou a Áustria, a família resolveu fugir para a América e viver da música. No papel do barão, Saulo Vasconcelos precisou cuidar mais da interpretação. "Trata-se de um personagem fascinante, que modifica a personalidade ao longo da trama." De fato, inicialmente sisudo e tratando os filhos como se fossem um pelotão do exército, o barão logo revela sua candura quando também se sente evolvido pela noviça Maria. "Ele começa ríspido mas termina mais humano." Para tornar mais realista a dificuldade de relacionamento do barão com seus sete filhos, Vasconcelos pensou em não conviver com as 20 crianças selecionadas entre mais de 3 mil, que formam os três elencos que se revezam nos papéis. "Tentei imitar Meryl Streep que, na filmagem de O Diabo Veste Prada, não se misturava com os colegas para reforçar o autoritarismo de seu personagem, mas não deu certo - no segundo dia, as crianças já estavam pulando em cima de mim." Vasconcelos substitui Herson Capri, que representou o papel no Rio. Outra mudança foi a saída de Fernando Eiras para a entrada de Francarlos Reis como Max Detweiler, o ?bon vivant? que ajuda a família a fugir dos nazistas. "Não canto profissionalmente, mas vivo intensamente o papel", conta Reis que, como de hábito, rouba a cena. Intérprete de clássicos como Dó-Ré-Mi e The Sound of Music, Kiara Sasso comprova sua condição de uma das estrelas do musical nacional (é o 15º de sua carreira) ao exibir uma potência vocal límpida e potente. Serviço A Noviça Rebelde. 165 min. 5 anos. Teatro Alfa (1.110 lug.). R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, 5693-4000. 5.ª, às 21 h; 6.ª, 21h30; sáb., 17 h e 21 h; dom. 16 h e 20 h. R$ 40 a R$ 180. Até 2/8

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