A nova arte brasileira em revista

CCBB reúne pinturas, vídeos, esculturas e instalações de 57 jovens artistas

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

Cinqüenta e sete artistas que representam a nova arte contemporânea brasileira terão trabalhos expostos na mostra Nova Arte Nova, que será aberta no dia 21 no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio. Apesar de a maioria ser jovem (em torno de 30 anos) e ter trajetórias semelhantes, o público não verá uma "nova geração" de artistas, como explica o curador, Paulo Venancio Filho: "Não existem traços muito claros, tendências ou um movimento." Pelo contrário, a exposição - possivelmente, a maior a reunir gente que se projetou neste século 21, marcada por elementos trabalhados em décadas anteriores por nomes como Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Lygia Clark, Tunga e Waltércio Caldas - deixará clara a multiplicidade de possibilidades que vêm sendo exploradas. Pelos três andares do CCBB, serão espalhados pinturas, vídeos, instalações, objetos, esculturas e desenhos de representantes de 14 Estados brasileiros.Entre os nomes, alguns que já passaram por mostras internacionais, como Mariana Manhães, Paula Gabriela, Felipe Barbosa, Renata Lucas, Sara Ramo, Tatiana Blass, Matheus e Thiago Rocha Pitta e Maria Lynch. Outros, como Bianca Tomaselli, Hugo Houayek, Bruno Miguel, Lívia Moura e Luiza Baldan, passaram por panoramas nacionais. "Essa exposição é uma vitrine, e também um momento que temos para refletir e dialogar sobre nosso trabalho", diz Bianca, catarinense de 29 anos, que apresenta parte de sua série Desenhos com rejunte.A carioca Maria Lynch, de 27 anos, mostrará a instalação Porra, composta por cerca de 40 peças de tecido colorido. "De Londres (onde termina seu mestrado em Artes Plásticas), observo que no Brasil a questão estética ainda é muito forte. Talvez aqui essa seja uma tendência maior, embora exista de tudo. É importante ver reunida uma amostra do que está sendo feito", acredita.A maior parte das cerca de cem obras é inédita, feita especialmente para a exposição. Também inédita é a iniciativa de reunir em catálogo textos de cinco novos críticos brasileiros, que se formaram no mesmo período dos artistas. Duas curadoras inglesas virão para debater aspectos da produção nacional. Já confirmada, Briony Fer, crítica e historiadora da arte, professora da University College London, para quem a arte contemporânea brasileira se destaca no cenário internacional. Ela acha que será interessante perceber como vem sendo abordada a questão do tempo. "Ao recusarem concepções mais antigas e mais lineares do fluxo do tempo, novas temporalidades fluem em direções mais complexas ou mesmo contraditórias", aponta. Paulo Venancio Filho lembra que a intenção não é ter uma exposição conclusiva. Ele ressalta que, por ser no CCBB, a mostra chegará a um público que não faz idéia do que os jovens artistas andam fazendo por aí. "Eu evitei colocar um conceito, encontrar algum tipo de afinidade entre os trabalhos. É uma exposição fluida, em que as pessoas terão de se orientar por elas mesmas", diz o curador. A Nova Arte Nova chega ao CCBB de São Paulo em janeiro de 2009.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.