''''A moda me ensinou a olhar o futuro''''

ENCONTROS com o ESTADÃO[br]Costanza Pascolato acha ótimo que grandes grupos comprem as grifes e lhes dêem uma nova gestão

Sonia Racy, sonia.racy@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

19 Janeiro 2008 | 00h00

Nem o trânsito, a chuva forte ou os compromissos de uma semana agitada da moda na cidade fizeram Costanza Pascolato se atrasar para o nosso jantar, marcado no Sophia Bistrô. Oito e meia em ponto, e lá está ela! Toda de preto: calça GAP - uma das cinco que tem, todas iguais -, suéter assinado pelo estilista belga Martin Margiela, casaco Balenciaga, sandália Prada e bolsa Arezzo. Brincos e pulseiras em prata criados pela editora Jussara Romão. Pede um minuto para retocar a maquiagem - que já estava impecável. Conversa serenamente sobre sua vida, faz previsões sobre o próximo inverno - "o vestido continua a peça-chave da estação..." - e vê com bons olhos a novidade da incorporação de marcas pelos grandes grupos, como acaba de ocorrer. A papisa da moda, que nasceu na Itália e veio fazer a vida no Brasil quando tinha cinco anos, dá expediente diariamente, ao lado do irmão, na tecelagem Santa Constância. Mãe de duas filhas, Consuelo e Alessandra, ela acompanha de perto todas as temporadas de moda, tanto as daqui quanto as internacionais. Não é uma pessoa religiosa, mas diz ter fé numa força maior. Preocupada em entender melhor o mundo, Costanza vem tomando aulas de filosofia e literatura. À luz desta São Paulo Fashion Week, que está acabando, o que você acha que vai pegar? O vestido continua sendo a peça-chave da estação. Ele surge em várias formas e comprimentos. Os mais curtos, inclusive, continuarão sendo usados por cima das calças compridas. Como você vê esse movimento de grupos incorporando marcas brasileiras? Acho uma ótima iniciativa. Mas, como tudo que é novo, ajustes serão necessários. O mais importante é que as marcas compradas ganhem nova gestão. Todo esse movimento é bem-vindo no momento atual. Uma boa editora de moda tem que ser temida? A moda hoje é um grande negócio, envolve muito dinheiro. Este estereótipo da profissional implacável vem de Anna Wintour (editora da Vogue América e inspiradora da personagem central de O Diabo Veste Prada). Mas a moda deve muito a ela. Não podemos nos esquecer de que, mesmo um pouco decaído, o mercado americano sempre foi fantástico. Qual a receita para não ficar fora de moda? A moda me ensinou a olhar o futuro, a ser lúcida e interessada. Pode parecer bobagem, artificial, mas essa mecânica de não olhar para trás serve para entender melhor o que está por vir. Quando se trata de moda, pareço adolescente: passo horas navegando por blogs, apesar de meus netos reclamarem muito. Como você se coloca em relação à crítica de moda? Acho ridículo ficar criticando, impondo a própria opinião. Mas sou meio ambígua porque estou dos dois lados do balcão - produzo a matéria-prima e, de certa forma, faço um julgamento do produto final. Dos estilistas internacionais, quais os seus preferidos? Sou uma mulher Prada. Além de gostar do trabalho de Miuccia Prada e me identificar com ela, prefiro as estilistas mulheres. Também gosto muito da moda mais intelectual da Marni (criada por Consuelo Castiglioni). Prada e Marni, talvez por ser italiana como elas. E dos brasileiros? Há vários. Sempre gostei da Glória Coelho, do Reinaldo Lourenço e do Alexandre Herchcovitch. Mas existe também uma boa safra de novos talentos. Quais os planos para o futuro? Estou procurando melhorar para poder enfrentar aquela passagenzinha... Dizem que é para uma coisa melhor, mas a gente não sabe. Com sua genética, "aquela passagenzinha" deve demorar bastante. Tenho 68 anos. Estou bem, mas poderia melhorar umas coisinhas. A felicidade não é um bem de consumo... Não tenho nada de zen, mas tento me manter calma. Acho que o caminho é esse. O que falta para a realização? Tive o privilégio de estar em lugares interessantes na hora certa. O que falta? A depuração e o aperfeiçoamento. Para mim é maravilhoso ter energia para fazer o que faço. E não precisar viver menos bem do que já vivi. Então, você é feliz? Acho que sim. Estou prestando mais atenção à minha vida. A cada sete anos renovo. Mudo o namorado, os interesses, os pontos de vista. Também tenho a tranqüilidade de poder envelhecer sozinha porque sei que vivi intensamente um grande amor. Foi Giulio Cattaneo della Volta. Anos atrás você sofreu uma doença grave. De que maneira isso mudou sua vida? Foi justamente numa dessas viradas dos sete anos. Fiquei muito triste quando Giulio morreu. Então eu quis, de alguma forma, morrer também. Durante o tratamento comecei a me dar conta de coisas que jamais havia notado. Um dia, ao abrir a janela do meu quarto, pensei: faz quatro anos que moro aqui e nunca reparei nessa árvore... Como meu câncer era tratável, decidi ajudar os médicos. Servi de espelho para outras pacientes. A beleza atrapalha? Isto é besteira. Ela ajuda, não é mesmo? Na verdade, na minha época as pessoas eram bem "feinhas" e eu levava uma vantagem, mas hoje em dia tem tanta gente bonita... DORIS BICUDO Impressão Digital Eduardo Gouvea Vieira O presidente da Firjan está montando um seminário, para meados de fevereiro, em que se vai debater política econômica e tributária. Já foram convidados o ex-ministro Pedro Malan e o especialista em contas públicas Raul Velloso. "Com o fim da CPMF, sumiram R$ 40 bilhões. Não há milagre, não acredito em fantasias", diz Gouvea Vieira. E conclui: "Parecemos aquele cachorro que sai latindo atrás de um caminhão e continua latindo mesmo quando ele pára." Na frente A Comgás está recebendo até o dia 1º de fevereiro inscrições de projetos culturais. Para disputar as verbas de seu Fundo de Patrocínio Sociocultural, que acaba de ser engordado com nova dotação de R$ 1 milhão. Roberio Silva, ex-secretário executivo da Camex, está com um novo projeto na área de comércio exterior. Montou consultoria que se dedicará especificamente a negócios entre Brasil e China. Presente de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli para os 454 anos de São Paulo: a estréia do filme Signo da Cidade, produzido por Riccelli e estrelado pela atriz, terá ingressos a R$ 1, no dia 25. Os estrangeiros estão fazendo a festa do Refúgio Ecológico Caiman, de Roberto Klabin: em 2007, a procura foi 15% maior que a de 2005. Com os americanos no topo da lista: representaram 25% do total de hóspedes vindos do exterior. Um Camarote Bar Brahma será montado hoje na Escola de Samba Unidos de Vila Maria. Com direito a show de Alcione e desfile da Cavalera. O site Panelinha, de Rita Lobo, prepara o lançamento do Caderno das Chefs. Com receitas de Clo Dimet, Andrea Kaufmann, Tetê Mota e Luciana Lobo. A Fiat e a Plásticos Mueller estão recebendo até a próxima semana inscrições para o Prêmio Talentos do Design. Os vencedores saem em março. Direto da fonte Colaboração Silvia Penteado silvia.penteado@grupoestado.com.br Doris Bicudo doris.bicudo@grupoestado.com.br Gabriel Manzano Filho gabriel.manzanofilho@grupoestado.com.br Produção Marília Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br Elaine Friedenreich elaine.fried@grupoestado.com.br

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.