A melhor fase do design brasileiro

Exposição no Museu de Arte Moderna reúne de forma abrangente e incomum obras de 95 criadores consagrados e novos

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

De um percurso do ano 2000 para cá, o design brasileiro vive agora o seu melhor momento, como afirma Adélia Borges, curadora especializada na área há longa data. "Nos anos 80, havia um olhar de desdém quanto à produção brasileira, vista mais como cópia do que se fazia lá fora. Hoje, há admiração e interesse e o design brasileiro está entre as bolas da vez", continua ainda Adélia, que preparou uma exposição incomum e abrangente, uma "leitura transversal" e não um panorama dos melhores produtos criados em solo nacional. Design Brasileiro Hoje: Fronteiras, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Museu de Arte Moderna, reúne desde a vassoura Noviça, "a mais vendida no Brasil", criada em 2003 por Liane Schames Kreitchmann/ Equipe Bettanin, os uniformes para as Olimpíadas de Pequim (Oestudio) até uma cadeira desenhada pelo consagrado Sergio Bernardes ou as Melissas assinadas pelos irmãos Campana.Deslocam-se para o museu produtos os mais diversos (quase todos eles disponíveis em lojas) - do mobiliário, da área editorial, tipográfica, adornos, vestuário -, numa iniciativa que joga luz aos artifícios, às estratégias, à criatividade da produção nacional de qualidade e expandida para além do eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte. Afinal, o que é design? "Ele perpassa nosso cotidiano e não nos damos conta dele. Queria mostrar essa abrangência e permitir também compreender melhor como esta é uma atividade necessariamente multidisciplinar", diz Adélia Borges, que selecionou criações de 95 participantes, entre os consagrados e suas novas apostas. Ela, que fez uma bem-sucedida direção do Museu da Casa Brasileira entre 2003 e 2007, é autora de livros e do projeto do museu que a Prefeitura de São Paulo vai abrir no Ibirapuera no antigo prédio da Prodam, vem se dedicando a viajar pelo País e pelo mundo fazendo palestras e conhecendo sempre mais criadores.A máxima de que "a forma segue a função" adquire novas conotações, como se pode ver na exposição no MAM. "A forma segue a ficção ou a forma segue a emoção são variantes de hoje", afirma Adélia, e uma "poética da singeleza" é mais forte nas criações do que o apelo high tech. O que não significa, de maneira nenhuma, que o design brasileiro se vale de artimanhas simplistas, mas usa a seu favor a riqueza de materiais encontrados em solo nacional (como os compensados de casca de coco de Eduardo Queiroz), faz a ligação inteligente com o artesanato, promove diálogos entre passado e presente e entre o industrial e digital.A relação do design com as artes plásticas pode ser vista nos biquínis criados por Amir Slama e inspirados em pinturas de Gonçalo Ivo. Já a tão cara questão da sustentabilidade aparece na obra de Fred Gelli, que criou convites usando como suporte, simplesmente, folhas de árvore; nos adornos de Mana Bernardes, criados com materiais como pets, bolas de gude, redinhas de embalagens de feiras - "joia é a capacidade de transformação do ser humano, não somente algo de ouro", como já disse a designer carioca. ServiçoDesign Brasileiro Hoje: Fronteiras. MAM. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3 do Parque do Ibirapuera, 5085-1300. 10h/17h30 (fecha 2.ª). R$ 5,50 (dom., grátis). Até 28/6. Abertura hoje, para convidados

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