A máscara de Peter Lorre em três cults na TV por assinatura

Pequeno, olhos globulosos, ombros caídos, mãos enormes, Peter Lorre protagonizou, em 1931, na Alemanha, a obra-prima M, o Vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang. Fugitivo do nazismo, ele foi para Hollywood, onde seu tipo físico o confinou aos papéis secundários, mas Lorre não precisou de mais do que isso para virar mito. No aniversário de sua morte - em 23 de março de 1964, aos 59 anos -, o canal Turner (TCM) o homenageia com um ciclo. Os três títulos selecionados - M não é um deles - compõem uma programação imperdível. A Máscara de Dimitrios, de Jean Negulesco, passa às 14 h. É uma raridade, justamente por ser um daqueles filmes cults que não estão disponíveis em DVD e também não circulam com frequência na TV. O romeno Negulesco se constitui num caso curioso - foi roteirista e cenógrafo antes de virar diretor. Sua última fase, em que o decorador sufocou o narrador em medíocres produções em cinemascope da Fox, faz esquecer os bons filmes de seus começos. Ele queria adaptar O Falcão Maltês, de Dashiell Hammett, mas perdeu os direitos e foi persuadido por John Huston a fazer Dimitrios, com Lorre e Sydney Greenstreet. O filme, sobre escritor que investiga a morte de um escroque, é um noir respeitável, senão brilhante. Lorre e Greenstreet formam uma dupla excepcional representando juntos. O próprio diálogo ajuda e Bertrand Tavernier citou frases da dupla em momentos memoráveis de Por Volta da Meia-Noite, mas este é o tipo do prazer secreto que pouquíssimos cinéfilos identificam. Este Mundo É Um Hospício, às 15h40, substitui por humor negro os truísmos quase sempre associados a seu autor, Frank Capra. O filme é engraçadíssimo. E Casablanca, de Michael Curtiz, às 17h45, é o clássico romântico por excelência do cinema norte-americano. Lorre, Greenstreet, Claude Rains, Conrad Veidt e Paul Henreid são todos ótimos, mas neste caso é possível que o espectador só tenha olhos para Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Nos anos 30, num raro momento de astro em Hollywood, Lorre foi Mr. Moto na série com o herói oriental aparentado de Charlie Chan. Em 1954, de volta à Alemanha, dirigiu Der Verlorene, que não fez sucesso, mas hoje é reconhecido como um grande filme adiante de sua época.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.