A manada de sopros do Movimento Elefantes

Inspirado em projeto venezuelano, coletivo de nove big bands lança DVD, conquista público com apresentações gratuitas e movimenta a cena instrumental

Lucas Nobile, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

Existe a cantiga clássica que diz que "um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais", e daí por diante. Partindo desse princípio, nove big bands de São Paulo decidiram se agrupar para incomodar, no melhor sentido da palavra, e atrair a atenção de que a música instrumental há tempos necessita. Fazendo muito mais alarde do que se estivessem isoladas, elas formam o coletivo Movimento Elefantes, que lançou seu primeiro DVD neste domingo, e leva todas as segundas-feiras duas das bandas integrantes do projeto ao Teatro da Vila.

O idealizador da união é Vinicius Pereira, da banda Projeto Coisa Fina, que dedica o grosso de seu repertório à obra do maestro Moacir Santos (1926- 2006). Em janeiro, em viagem a Caracas, ele conheceu a Movida Acústica Urbana (MAU), coletivo de seis grupos que se uniram para divulgar a música venezuelana, e decidiu trazer a ideia na mala para o Brasil.

Depois de reuniões com integrantes das bandas, o Movimento Elefantes passou a funcionar efetivamente no começo de junho, quando gravou o DVD. "O simples fato de existir o coletivo já chama atenção, é uma roda gigante. A pessoa vai ver uma das bandas e passa a conhecer todas as outras. Isso atrai mais público, faz com que a gente toque em casas maiores e com mais estrutura", diz Vinicius Pereira.

A união é benéfica em todos os sentidos para os mais de 120 integrantes das bandas Projeto Coisa Fina, Reteté Big Band, HeartBreakers, Big Band da Santa, Banda Urbana, Projeto Meretrio, Soundscape Big Band, Banda Jazzco e Grupo Comboio. Para se ter uma ideia, a Reteté estava sem shows havia quatro meses, e agora faz pelo menos duas apresentações mensais. "O projeto tem aberto espaço pra nós. Mesmo sem ganhar dinheiro, tocamos por amor à música", diz Amador Bueno, fundador da Banda Jazzco, que acaba de completar 35 anos de estrada e é a mais antiga do coletivo. "Agora temos uma estrutura mínima e uma produção mais organizada. Outro dia, na saída do Teatro da Vila, um senhor, em vez de dizer "tchau", disse "até semana que vem", ou seja, sabe que toda segunda poderá ir lá e conhecer bandas diferentes", comenta Rubinho Antunes, da Banda Urbana.

Com a mesma proposta dos shows do Teatro da Vila, em que o público paga o valor que quiser, o DVD do Movimento Elefantes será distribuído gratuitamente. E o projeto não morre por aqui, no Brasil. Até o fim do ano, a MAU lança comercialmente um DVD por lá, cujas primeiras 500 cópias serão acompanhadas gratuitamente dos clipes dos brasileiros. Aqui no País, o DVD dos venezuelanos também deve ser distribuído. "Ainda estamos experimentando como funciona a estrutura de um coletivo. Se tudo der certo com nossos amigos venezuelanos, vamos expandir os contatos com bandas do restante da América Latina", comenta Pereira.

Serviço

Teatro da Vila (80 lug.). Rua Jericó, 256. Informações: 7838-0182. 2.ª, 20h30. Entrada: pague quanto vale

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