A lucidez sem amargura de Nashville, clássico de Altman

Havia um "sistema Altman de filmar" e ele pode ser conferido de modo exemplar em Nashville (Telecine Cult, às 17h40), para muita gente boa a obra-prima do diretor. Qual é esse sistema? A trama dispersa num número grande de personagens, criando um mosaico, um painel de sociedade que pode ser lido de maneira também múltipla. No caso, são 24 personagens que participam de um comício político em Nashville, a capital da música country.Nesse antiépico de duas horas e meia de duração, Altman traça um quadro bastante compreensivo da sociedade americana da época - o filme é de 1975 e reflete grandes acontecimentos da história americana, como a Guerra do Vietnã e o caso Watergate. Pelos personagens de Altman vemos como a política se aproxima do show biz e como ambos carecem de qualquer profundidade.O interessante é notar a leveza com que Altman filma e coordena seus fiapos de ação, dispersos entre tantos personagens. Nashville, como outros filmes do diretor, produz certa sensação de desalento com a sociedade atual. Altman a vê com o distanciamento da ironia, mas nunca com a acidez do cinismo. A questão é ser lúcido sem cair na amargura. Para poucos.

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