A história e o sonho da integração continental

Dossiê reúne artigos sobre a relação entre os esportes e a política em tempos de Jogos pan-americanos

Karla Dunder, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

Não podia ser diferente: diante de tamanha empolgação com a cobertura dos Jogos Pan-Americanos, a Revista de História da Biblioteca Nacional dedicou um dossiê ao tema. Mais do que falar sobre medalhas, a edição resgata a história dos jogos e lembra das principais personalidades que deixaram sua marca na história.O ideário de integração das Américas é analisado por Fernando Vale Castro no artigo O Pan-Americanismo em Jogo. Castro faz uma viagem no túnel do tempo até o sonho de cooperação continental de Simón Bolívar e a pragmática Doutrina Monroe, na qual o presidente dos Estados Unidos, James Monroe, "defendia uma espécie de autonomia das Américas, monitorada pelos norte-americanos".No artigo, o autor destaca que a 1ª Conferência Internacional Americana, que ocorreu entre outubro de 1889 e abril de 1890, marcou o início oficial do pan-americanismo. "O imaginário sobre a integração das Américas ultrapassou as fronteiras da política. Na esfera esportiva, essa busca por união teve início nas primeiras décadas do século 20. Inspirados pelos Jogos Olímpicos da era moderna, iniciados na Grécia em 1896, foram organizados os Jogos Abertos da América Central - primeiro no México, em 1926, depois em Cuba, em 1930." E em 1951, 100 mil pessoas assistiram à Cerimônia de Abertura dos Primeiros Jogos Pan-Americanos em Buenos Aires, com a presença do presidente Perón e da mítica Evita.No Brasil, o prefeito do Rio Pereira Passos foi um dos pioneiros a perceber a contribuição dos esportes para a realização de projetos políticos, conforme demonstra Victor Andrade de Melo em Músculos para o Progresso. Ele analisa as reformas de saneamento e urbanização promovidas por Passos e a maneira como utilizou os esportes na celebração simbólica do conjunto de mudanças. "Esta associação entre esportes e um determinado projeto político representa o início de uma perigosa relação entre clubes e governo - uma explícita troca de favores que não pode ser confundida com uma ação governamental comprometida com o conjunto geral da sociedade. As ações do prefeito não contemplavam a população como um todo, pouco beneficiada com os subsídios financeiros concedidos aos clubes." Situação bem conhecida dos brasileiros de hoje.O dossiê conta a história de atletas, como a das mulheres que derrubaram barreiras para subir ao pódio. O barão de Coubertin, como relata Cláudia Maria de Farias, idealizador das Olimpíadas da era moderna e presidente do Comitê Olímpico Internacional de 1896 a 1925, defendia a exclusão das mulheres da competição. Entre as pioneiras, a brasileira Maria Lenk que abriu as raias da natação e Maria Esther Bueno cravou seu nome nas redes do tênis.Entre as curiosidades do dossiê, os Jogos dos Povos Indígenas, que resgatam as velhas tradições e a saga da capoeira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.