A história da cena em Fragmentos

Centro de formação criado pelo fundador do Arena José Renato, Teatro dos Arcos exibe espetáculo que cativou seu público

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

Fundador do Arena, o diretor José Renato voltou ao histórico espaço para dirigir Chapetuba Futebol Clube, ainda em cartaz no teatrinho da Rua Teodoro Baima que projetou nacionalmente nomes como Vianinha, Guarnieri e Boal, entre tantos outros. Todas as quintas-feiras, a sessão recebe reforço de boleiros, que debatem a peça - que tem o futebol como tema - com participação do público.Mas esse retorno ao Arena - a convite da Funarte, que atualmente administra a casa - não significa que José Renato tenha abandonado o Teatro dos Arcos, um outro espaço teatral que abriu na cidade e sonha sedimentar como centro de formação e polo de criação teatral. Ali, na Rua Jandaia, bem próximo aos teatros Imprensa e Oficina, ele já manteve em cartaz peças como Galeria Metrópole, de Mário Viana, e Lágrimas de Um Guarda-Chuva, texto de Eid Ribeiro que ganhou uma bonita direção de José Renato.Pois a partir de amanhã o Teatro dos Arcos abriga mais um espetáculo, Fragmentos, desta vez resultado da conclusão do curso Prática Teatral, ministrado no espaço pelo ator, dramaturgo, diretor e professor Carlos Falat. Ele é também autor do texto e da direção dessa montagem que, de certa forma, revela sua origem didática: a trama procura traçar um percurso que vai da tragédia grega ao naturalismo televisivo."O texto é uma colagem de vários autores, Luiz Alberto de Abreu (Cala a Boca já Morreu), Sófocles (Édipo Rei), Gil Vicente (A Farsa de Inês Pereira), Molière (Médico à Força) e Shakespeare (Macbeth), entre muitos outros. "Fizemos duas apresentações no fim do ano passado, como resultado de curso, apenas para mostrar o aproveitamento dos alunos", diz Falat. "Ocorre que a recepção do público foi muito boa", conta. Daí a equipe de criação se deu conta de que tinha um trabalho já realizado que poderia ir além do planejado. "Vale ser visto por espectadores para além dos que esperamos numa apresentação de final de curso", diz Falat.A atriz negra Carola Pontual faz o papel da diarista Cleonice que, subitamente, é tragada para dentro de um programa de TV. "A peça Em Moeda Corrente do País, de Abílio Pereira de Almeida, serve de pano de fundo nesse início", diz Falat. Mas se o espectador não reconhecer as citações, não tem problema, vai compreender a trama da mesma forma. "Tudo se passa supostamente nesse estúdio de TV e os diálogos foram criados de forma que os fragmentos da peça se encaixem."Por exemplo, a apresentadora pede a Cleonice para que lhe sirva um café. "Até aqui?", contesta ela. "É comum nas novelas vermos negros no papel de domésticos, algo que só agora começa a mudar", argumenta Falat. Na discussão que se segue em cena, a ideia grega de destino inexorável entra em questão e daí a apresentadora pede para ?rodar o VT?, o que dá ensejo à exibição do fragmento da tragédia Édipo Rei.""Como se trata de trabalho de formação, e sério, os alunos repassam a história do teatro." Mas sem perder o humor e, por isso, não deixam de fora a TV, tratada na chave da sátira, como na novela venezuelana La Desgraciata de Caracas, escrita pelo próprio Falat. "O público riu muito nessa parte." ServiçoFragmentos. 80 min. 10 anos. Teatro dos Arcos (160 lug.). Rua Jandaia, 218, 3101-7802, metrô Sé. Sáb. e dom., 19 h. R$ 10. Até 1.º/3

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