A fragilidade dos continentes nas criações de Geórgia Kyriakakis

Artista coloca numa linha contínua as representações poéticas dos territórios

, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Os continentes do mundo representados de forma poética e fora da hierarquia Hemisfério Norte/Sul, ou seja, sem fronteiras e numa linha contínua. Essa é a chave da mostra que a artista Geórgia Kyriakakis apresenta no Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Em Outros Continentes, os territórios estão nivelados, em preto-e-branco e são formados, cada um, por conjuntos de desenhos e por uma fotografia que explicita a linha do horizonte no mar. "Os mapas são referências, mas a geografia nunca está fixa", diz a artista, que, sempre em sua pesquisa, trata de maneira fiel e natural sobre a questão da fragilidade do equilíbrio ou prumo.O discurso político está incutido nas obras de Outros Continentes, mas prevalece mais um lado poético que se esvai para todos os sentidos. Como conta Geórgia, ela teve como ponto de partida para esses novos trabalhos a observação, no ano passado, das substâncias da espuma do mar. "Ela nasce na turbulência, mas é frágil, efêmera, guarda muitos pequenos continentes e eu queria criar algo que resgatasse o fazer lento, o desenho."Para condensar em obra essa ideia, Geórgia, então, começou a desenvolver desenhos com lápis de cor branco sobre papel preto, a partir de coordenadas de diversos mapas, mas que representavam, afinal, um universo de bolhas, "continente de ar impalpável" (e curiosamente, também, transformou-os em impressões, como matrizes de gravuras, para lhes tirar a "aura"). Para ainda completar a representação dos territórios, ela também pensou em agregar ao conjunto fotografias em preto-e-branco de vistas da praia, captadas no litoral brasileiro: é o mar que faz a comunicação entre os continentes do mundo. "Há uma ideia de calmaria de estar diante dessa vista, mas, na verdade, essa linha do horizonte que vemos ao longe nunca está fixa. É algo físico, político, econômico essa não fixidez do mundo", continua a artista.Na galeria, as obras tomam apenas uma parede. Os conjuntos de desenhos e fotografia se transformam em uma linha dos continentes (ou regiões), começando e terminando com as Américas, passando pela África, Europa, Oceania, Rússia, países árabes, Groenlândia. Os trabalhos têm uma estrutura similar, mas não são iguais, cada um tem uma forma de representação simbólica dos territórios - e, curiosamente, por vezes os desenhos são colocados mais para cima ou mais para baixo, formando um ritmo que remete ao movimento das ondas do mar que estão pacíficas nas imagens fotográficas.ServiçoGeórgia Kyriakakis. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, 3083-6322. 2.ª a 6.ª, 10 h/ 19 h; sáb., 12 h/16 h. Até 25/4

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