A festa da solidão

Em Feliz Natal, sua estréia como diretor de longas, Selton Mello acerta contas com o passado

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 00h00

Talvez seja mera coincidência, mas justamente nesta sexta em que Feliz Natal está estreando com 20 cópias - em digital e película - em São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Goiânia, o filme de Selton Mello também terá sua primeira exibição no Festival de Huelva, na Espanha. Selton já testou as reações de espectadores brasileiros nos Festivais de Paulínia, do Rio, na Mostra de São Paulo e em eventos como o Amazonas Film Festival e o FestCine Goiânia, do qual acaba de sair vencedor, com nove prêmios. Ele está agora curioso para ver como seu filme será recebido no exterior. "Aqui, sou conhecido como ator e as pessoas sempre têm alguma expectativa, que o filme pode satisfazer ou não. Lá fora ninguém me conhece, sou apenas um diretor principiante."Denso, difícil - muitos adjetivos do tipo já foram empregados para definir Feliz Natal. Selton fez o filme que queria, como queria e com quem queria. Para viver Mércia, a matriarca dessa família disfuncional, convidou a atriz Darlene Glória. E está satisfeito da vida, mesmo diante de eventuais críticas negativas. "Consigo separar as coisas. O fato de você não gostar de meu filme não significa que não gosta de mim", ele brinca com o repórter do Estado. O Natal foi sempre um fantasma na vida de Selton. Ele lembra que teve natais felizes, como conta, mas Selton nasceu em 30 de dezembro. Seu pai, no dia do Natal. As festas de aniversário coincidiam com a festa de Natal e isso sempre produziu nele uma sensação de deslocamento."No primeiro filme, a gente sempre quer dizer e fazer tudo. Falar sobre a vida, a arte. O próximo filme talvez saia mais maduro." A história que Selton conta em Feliz Natal é a deste homem, dono de um ferro-velho, que viaja para passar a festa de Natal em família, com os pais e o irmão. Ele encontra velhos amigos. Só gente bêbada, frustrada, agressiva. "Para mim, Feliz Natal é sobre a solidão, sobre as várias formas de solidão", diz Selton. O diretor chegou a pensar em fazer o protagonista, mas terminou chamando Leonardo Medeiros, o ?Leo?, para o papel. "Ocorre uma coisa curiosa", ele observa. "O filme reúne, dez anos depois de Lavoura Arcaica, uma trinca muito entusiasmada e ligada."

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