A felicidade inédita de ser artista

O violonista alagoano Zé Barbeiro lança o primeiro CD - Segura A Bucha! - em apresentação única no Sesc Pompeia

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

Zé Barbeiro está "passado". Pela primeira vez, sente "a felicidade de ser um artista". Um dos violonistas mais importantes do choro de São Paulo, ao 57 anos ele está lançando o primeiro disco - Segura A Bucha! - hoje, no Sesc Pompeia. É o resultado do mergulho na música instrumental realizado no início dos anos 1970, quando largou o iê-iê-iê. Ouça trecho de Segura A Bucha Nascido em Alagoas e radicado ainda menino em Carapicuíba, uma cidade paulista, José Augusto Roberto da Silva conheceu o violão com a febre da Jovem Guarda. O contato com o samba e o choro se deu na barbearia do pai. Zé Barbeiro trabalhou por mais de 30 anos na profissão. Faz 12 anos abandonou o ofício para dedicar-se à música. Em 1971, num festival em Osasco, Zé Barbeiro recebeu um conselho do violonista 7 cordas João Macacão, que está lançando o CD Serestando. "Ele percebeu minha pegada rítmica boa para o choro e mandou seguir esse caminho." Autodidata, Zé Barbeiro comprou todos os discos em que Horondino José da Silva - o Dino 7 Cordas - tocava. "O Dino me ensinou a importância da firmeza rítmica, a dar o pé no chão para o cantor ou o solista atuar", diz. "Era dono de impressionante segurança no ritmo, as notas graves saíam todas precisas." Além de aprender de ouvido, comprou livros que o ensinaram a ler partitura. Arranjador do disco Divino Samba Meu, com o qual Dona Inah ganhou o prêmio TIM de Revelação em 2006, Zé Barbeiro diz que seu estilo é "bonachão". "Adoro fazer presepada com o ritmo." Só contém a vontade de brincar, quando percebe que o cantor ou solista é tradicional. Resultado de premiação do Projeto Pixinguinha de 2008, Segura A Bucha! reúne 14 dos mais de 110 choros compostos por Zé Barbeiro, responsável pelos arranjos. No CD, a única composição com parceiro - o violonista Alessandro Penezzi - é Bafo de Bode. Para gravar, chamou seus companheiros de "palhaçadas nos botecos", que tocam com ele no Bar do Cidão e no Ó do Borogodó, ambos na Vila Madalena.Para compor e arranjar, ele recorre às tecnologias. "Não sei escrever de uma vez os arranjos." Primeiro, ele cantarola a melodia e depois a registra no Encore, software para trabalhar com partituras. Os floreios e harmonias, inventa no computador. "E sempre para facilitar o trabalho dos músicos." Zé Barbeiro acompanha a evolução dos violonistas 7 cordas - os contrapontistas de ontem vêm se tornando os harmonizadores e arranjadores dos dias atuais. ServiçoZé Barbeiro. Sesc Pompeia. Teatro (358 lug.). Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Hoje, 21 h. De R$ 3 a R$ 12

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