A exuberância física da mulher que é só sonho

Luana fala de comédia, de sua imagem e diz que tem necessidade de trabalhar com o pé na realidade

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

Há quem reclame de Luana Piovani, dizendo que a atriz não consegue deixar de ser ela própria. É negar a evidência - em O Homem Que Copiava, como em A Mulher Invisível, a personagem tem muito a ver com a imagem que a atriz projeta. E outra evidência - ninguém consegue ser melhor Luana Piovani do que a própria, porque ela tem humor. A prova - Luana é a melhor coisa do novo longa de Cláudio Torres. A melhor ?coisa?? Isso não seria objetalizar a atriz? A mulher invisível - a mulher sonhada, idealizada - é sexy, bonita, carinhosa, dedicada. Ou seja, uma fantasia de Selton Mello, como da massa de espectadores. Quem mais para encarná-la, a não ser Luana?"Isso foi o que me disse o Cláudio (o diretor Torres) ainda na fase de mesa, quando a gente ensaiava o filme. Fizemos esse trabalho prévio, como no teatro. O Cláudio dizia que a minha mulher invisível era mais real do que a que ele imaginara. É o meu método de trabalho. Preciso acreditar no que faço. Na TV, um pouco menos, porque faço pouca, mas no cinema e no teatro eu preciso acreditar na personagem para que ela exista. Preciso lhe dar uma vida. A Amanda saiu assim, realista como tudo o que faço."Amanda começa como mocinha, salvando Selton Mello de sua solidão, mas logo vira uma bandida, ao não querer sair da vida dele. Luana diz que se trata quase de uma história de amor triste. Ela sabe que é um objeto de desejo do público masculino, mas isso não a transforma em ?objeto?. A atriz sabe perfeitamente que poderia traçar seu perfil do homem ideal - "Teria de ser inteligente, carinhoso, ter uma carreira" -, mas já está cansada de saber que a idealização condena as relações ao fracasso. "Ninguém consegue sustentar o ideal do outro por muito tempo. A máscara sempre termina por cair. Sou a favor do realismo e da sinceridade." Mas ela compreende a necessidade de fantasia, aliás, expressa na solução do desfecho de A Mulher Invisível, como o público poderá confirmar, a partir de hoje, nos cinemas.Cláudio Torres começou fazendo dramas, mesmo que eventualmente tivessem humor - Gêmeas, O Redentor. A virada para a comédia é mais recente. Como é trabalhar numa comédia? "Acho que o diretor precisa ter um timing diferente, e o Cláudio tem. Ele vê muita comédia. O Cláudio curte, aprendeu a fazer." Pode até ser clichê, mas Luana reconhece no cinema uma arte do diretor, ao contrário do teatro, que é arte do ator. "Quem tem o filme na cabeça é o diretor. A gente pode se perder filmando aqueles pedacinhos todos, mas ele tem de se manter no controle."Como Luana avalia sua carreira? "Ah, estou muito contente. Gosto do que faço e só faço o que gosto." O diretor a definiu como uma mistura de Marilyn Monroe e Angelina Jolie. "Menos, Cláudio, menos", ela brinca, na entrevista realizada por telefone.

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